No ônibus em Porto Alegre


por Rafael Zanatta

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

O interessante em circular pela cidade de Porto Alegre de ônibus é que a realidade se apresenta de uma maneira bem mais realista. No carro a gente não sofre com algum indivíduo “pedindo um real”, mas viaja tranqüilo com o som e o ar-condicionado ligado. (não vou entrar no mérito que o trânsito em determinadas horas é péssimo)

Hoje, ao invés de sentar no ônibus e ler minha revista, resolvi prestar um pouco mais de atenção à vida que se criou às margens do Dilúvio. Antes mesmo de embarcar, já se reparava nos mendigos que dormiam enquanto que um, na tentativa de conseguir umas moedas, se aproximou. Ninguém deu nada.

Quando entrei no ônibus sentei próximo à janela e admirei o famoso arroio que atravessa a cidade e termina no Lago Guaíba. Hoje, ele é praticamente um esgoto a céu aberto, não fazendo a mínima diferença se está coberto ou não. Diante de toda a “vida” que se criou às suas margens vemos mendigos de todas as idades, cães abandonados, lixo e algumas garças que devem conseguir algum tipo de alimento por ali.

Eis então que, no outro lado da rua, passa o “Ônibus Turismo de Porto Alegre”. Imagine você, responsável pelo turismo da cidade, vendo os turistas tirando fotografias da paisagem que acabei de descrever. É claro que o ônibus não tem alternativa e precisa passar por ali, mas é no mínimo curioso o fato de que os turistas não tiram fotos apenas dos pontos turísticos que definimos, mas do que os chama a atenção.

Nesse aspecto, identificar que um outro “tipo de sociedade” se criou às margens de um arroio é sim um bom motivo para uma fotografia (não necessariamente para o secretário de turismo).

Anúncios

O Transporte Público de Porto Alegre


por Rafael Zanatta

o trânsito de Porto Alegre está chegando ao seu limite

o trânsito de Porto Alegre está chegando ao seu limite

Numa das aulas da matéria Gestão Sócio-Ambiental entramos numa discussão interessante sobre o que a cidade de Porto Alegre poderia pensar para atenuar os impactos que o trânsito vem causando na vida das pessoas.

Para quem não sabe, Porto Alegre está sofrendo com problemas graves de congestionamentos e falta de capacidade para escoar os mais de 650 mil automóveis que circulam pela cidade e, pelo menos no curto prazo, não se vê alternativas para contornar esse problema.

Muito tem se falado em metrô como a “salvação dos problemas para a cidade”. No entanto, pensar que esta medida vai solucionar os problemas é um erro fatal, porque ele vai apenas atenuar algumas áreas. No entanto, ele será um primeiro passo MUITO IMPORTANTE, na medida que novas linhas sejam criadas no futuro para dar continuação ao processo.

Dinheiro pra isso? PAC neles! Os impostos já estão de bom tamanho e nem pensem em criar um novo para financiar uma obra que já deveria existir há, no mínimo, 10 anos!

Mais do que isso, no entanto, deve-se começar com projetos que sejam economicamente viáveis. O transporte público da cidade precisa ser mais confiável e quando falo nestas palavras não estou me referindo à segurança, mas sim no que diz respeito a horários, interligação e informações claras sobre as rotas.

Este é o primeiro passo! No entanto, a Copa está aí. E se a perimetral, que deveria ser a via rápida da cidade, congestiona quando tem jogos do Brasil na TV, imagina quando os jogos forem realmente AQUI!