Quando o menos arriscado tem mais possibilidade de dar errado


A complexidade do ambiente empresarial fez com que a necessidade de inovar se tornasse um imperativo para que as organizações continuem a existir. A partir desta realidade foi necessário inserir no dia-a-dia das empresas uma rotina que instigue a criatividade e a geração de ideias, partindo de um olhar crítico sobre o comportamento do mercado e da concorrência.

Caso a organização realizar uma boa interpretação do ambiente ela vai conseguir identificar o que de fato o cliente percebe como valor. Não o que ela acha “bonitinho” no produto, mas sim o que faz com que o produto seja escolhido em detrimento do outro na hora da decisão, por exemplo.

A partir desta interpretação deve-se chegar a um determinado número de alternativas de investimento. O problema, no entanto, reside exatamente nesta etapa: gestores tendem a privilegiar investimentos que apresentam o menor risco.

É claro que devemos escolher entre o investimento com menor risco, certo? ERRADO!

Este é o problema da maioria dos gestores e das empresas ao perceberem o “risco” como um inimigo mortal que deve ser mantido a quilômetros de distância. Investimentos com menor risco significam uma maior probabilidade de fazer o que já existe no mercado (igual à concorrência). Desta forma, focar os esforços “no que já existe” não diferencia a empresa, mas a torna igual a qualquer outra.

E neste ponto reside o pior problema: quando o produto é igual a qualquer outro a única diferença que o consumidor irá levar em conta na hora da decisão é o preço e, neste caso, uma empresa padrão poderá oferecer o produto até que o seu preço seja igual ao seu custo de produção.

É por isso que as empresas devem inserir em suas agendas o compromisso de desenvolver soluções novas pois ao trazer valor para o cliente de uma forma diferente dos demais concorrentes a empresa tem a possibilidade de lucrar mais!

Outros posts sobre Inovação

A “Inovação” está BOMBANDO


Bem que meu professor avisou, no primeiro dia de aula, que o tema da disciplina que estudaríamos ao longo deste semestre é sensacional
por Rafael Zanatta

É correto dizer que grande parte do meu mergulho no tema “inovação” nestas últimas semanas, conforme o Rafinha mesmo comentou, é decorrente das excelentes aulas que estou tendo na faculdade a respeito do tema. No entanto, esse fato por si só não justifica a quantidade de leituras que eu venho realizando a esse respeito.

velocidadeO tema “inovação”, conforme eu comentei no twitter esses dias, está em tudo que vocês possam imaginar. E quando eu digo isso eu não estou me referindo à crise que exige mudanças no comportamento das empresas para que possam sair ainda mais fortalecidas e todo o bla bla bla que todo mundo está dizendo para manter os executivos animados. Isso é apenas um ingrediente dessa bola de neve que está tomando proporções gigantescas. O fato é que, com crise ou sem crise, estamos sendo colocados diante de uma realidade que na qual o ciclo de vida dos produtos (e negócios) estão diminuindo a uma velocidade jamais vista.

Apenas para exemplificar, antigamente passava-se uma geração inteira e o “negócio da família” ainda estava lá, firme e forte. Hoje, quando o filho resolve assumir, não é mais possível manter o mesmo modelo de negócios e se não houver uma “quebra de ruptura” constante a tendência é que, mais dia ou menos dia, essa empresa feche as portas.

Por isso eu gostaria que todos vocês prestassem muita atenção ao que está ocorrendo. Nós não estamos sendo preparados para isso, mas certamente seremos cobrados. É preciso deixar de lado os velhos cases e perceber que a realidade é outra: mais rápida, mais exigente, e sem dúvida nenhuma sem paciência para aturar aqueles que não entenderem como vai funcionar esta nova dinâmica daqui pra frente.

LEIA MAIS:

Raízes da Inovação


As variáveis que interferem no processo de inovação
por Rafael Zanatta

umagotaPor que são poucas as pessoas que optam por tomar um caminho empreendedor? Dentre estas poucas, por que somente uma pequena parte delas decide criar empreendimentos que realmente desafiem a concepção do status quo?

Para responder estas perguntas poderíamos recorrer a todos os estudos já realizados dentro da psicologia no campo do comportamento, tomada de decisões ou então a vertente que busca entender quais são os fatores que tornam um indivíduo mais ou menos avesso ao risco. No entanto, este estudo tem por objetivo compreender como funciona a dinâmica da inovação para os indivíduos que não têm medo de perturbar a sua zona de conforto. São estes indivíduos que terão a ousadia de buscar o desconhecido através de novos conhecimentos e que terão um papel predominante na transformação da sociedade. Os demais, que se comportam como engrenagens ou, no máximo, como copiadores, terão uma parcela mínima dentro deste processo.

Antes de qualquer coisa cabe apresentar o conceito de inovação, para que fique bem claro sobre qual linha de raciocínio está apoiado este texto. Inovação, em linhas gerais, pode ser considerada como a combinação de conhecimentos com o objetivo de gerar um novo, desde que seja economicamente viável. O cerne da inovação, por consequência, está na resposta que é dada diante de uma necessidade de mercado.

O que deve ser compreendido, no entanto, é que a inovação dificilmente terá raízes no conhecimento do cotidiano. As maiores descobertas dos últimos anos foram e continuarão sendo feitas dentro de universidades e laboratórios de pesquisa científica, principalmente no ramo da nanotecnologia, robótica, redes de inteligência artificial e por aí vai. Desta forma adiciona-se mais uma variável ao processo: conhecimento científico.

O indivíduo pode ser o “maior empreendedor do mundo”, mas se ele não possuir um conhecimento científico que o diferencie dos demais ele criará apenas negócios que já existem e, por consequência, competirá num universo no qual as regras já foram ditadas onde normalmente a mais importante delas é o preço. Neste ponto é possível perceber o porquê da primeira pergunta: não basta apenas o conhecimento em um ramo de negócio e a “cara de pau” necessária para a abertura de uma empresa. Para que ela possa realmente ser inovadora ela precisa ser embasada em conhecimento, necessariamente novo, para que o mercado não tenha a capacidade de realizar simples comparações lógicas e no final avaliar de acordo com o preço.

A partir do momento que se quebra esse parâmetro de decisão – preço – existe espaço para uma curva de rentabilidade realmente atraente e que terá a capacidade de fomentar novas descobertas. Este é um dos pontos finais que necessariamente deve estar claro ao final desta breve discussão. Uma inovação tende, com o passar do tempo, a ser um conhecimento rotineiro porque a rentabilidade que está sendo alcançada será mirada pela concorrência que entenderá o processo e levará novamente a decisão para a esfera do “preço”. Inteligente será aquele que souber gerir esse processo de maneira adequada, criando um “círculo vicioso” de inovação que, aí sim, será difícil de ser copiado.