A virtude para perdurar o sucesso


O segundo post que trago relacionado ao livro de Maquiavel busca relacionar como a virtude pode fazer com que o trabalho seja recompensado.

“Aqueles que, como os que mencionei, fazem-se príncipes mercê da suas virtudes conquistam com dificuldade os seus principados, mas com facilidade os podem conservar”

sucessoO que de fato devemos perceber é que a facilidade em se chegar a uma posição pode, muitas vezes, ser um impedimento para que o sucesso possa ser alcançado. Maquiavel falava de príncipes que chegavam ao poder através da hereditariedade e assim ocorre no Brasil, principalmente no interior do RS. É incrível perceber como as empresas familiares dominam o mercado e crescer nelas, infelizmente, é sempre muito difícil porque sempre existe a barreira do “filho que vai virar dono”. Desta forma, temos o desmerecimento do trabalho por parte dos colaboradores, que mais cedo ou mais tarde percebem que os seus esforços serão quase que em vão, tendo em vista que o posto almejado possivelmente já possui dono.

As pessoas, por conseqüência desta interpretação, buscam locais para trabalhar onde é possível crescer, mesmo que esse crescimento não seja da noite para o dia. Trabalhadores perspicazes entendem que o trabalho traz resultados no longo prazo e que a continuidade do empenho faz com que eles, ao alcançar o posto pretendido, tenham naturalidade para tratar das questões e perdurar o seu sucesso.

É com essa ideia que eu busquei interpretar o trecho. Não se deve valorizar com tamanha entonação o sucesso que veio da sorte de uma jogada bem sucedida. Devemos ter clara a idéia de que tantas empresas são precocemente enterradas porque esperam que a sorte seja a guia do seu sucesso. Por outro lado, empresários que percebem que um caminho um pouco mais longo e baseado em cuidados permanentes terão o sucesso de suas empreitadas, porque entenderam que mais do que uma boa idéia ou um pai dando-lhe abrigo, é preciso ter competência para que o sucesso do passado possa ser transformado em alicerces para o futuro.

O que Maquiavel pode nos ensinar


“O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, é um daqueles livros que dá gosto de anotar determinados trechos para usar como ensinamento e o fato de ele possuir mais de 500 anos não impede que as observações do autor possam ser utilizadas nos tempos atuais. Maquiavel apresenta a obra como um conjunto de observações que ele fez com o passar do tempo a respeito dos diversos reinos que formavam o que é hoje a Itália. O livro seria o seu presente ao príncipe de Florença, como prova de sua lealdade para com o governante.

O fato de eu estar nos últimos semestres de minha faculdade de administração fez com que eu levasse os ensinamentos para o lado empresarial, buscando analisar como o que estava sendo dito possuía relação com o dia-a-dia das empresas.

Daí surgiu a primeira anotação e por conseqüência a primeira interpretação:

“Ocorre que este mal, como no dizer dos médicos a propósito da tísica, é, em seu princípio, fácil de curar e difícil de identificar; no entanto, com o passar do tempo, se de início não foi nem reconhecido, nem medicado, torna-se fácil de identificar e difícil de curar.

Analisando este trecho com o cotidiano das empresas, ou até dos problemas pessoais, é possível perceber que a os problemas que se criam por não haverem sido identificados com antecedência são mais danosos do que aqueles surgidos por ventura de acontecimentos não relacionados. Um erro comum que vejo pessoas cometerem é não estudar como a concorrência está organizando-se dentro de um setor. Ocorre que, na maioria das vezes, o problema não está em um concorrente buscar uma fatia maior do mercado, visto que mesmo com uma menor participação a sua empresa ainda gozará de lucros e o seu patrimônio está garantido. No entanto, há momentos em que os concorrentes buscam mudar a estrutura da indústria, desenvolvendo variações do produto ou então remodelam-no por completo, atribuindo funções antes até impensadas serem possíveis. Este é o verdadeiro problema.

Qual o desfecho desta história? Simples. Quando você perceber que o seu produto já não atende às novas necessidades criadas pelo seu concorrente não haverá mais tempo suficiente para correr atrás do prejuízo deixado pela falta de atenção. Por conseqüência, não será apenas uma fatia do mercado que será perdida, mas talvez todos os seus clientes, que perceberão inúmeras vantagens no produto concorrente.

Desta forma, assim como previu Maquiavel, buscar entender a origem dos problemas e atacá-los de imediato trará vantagens indiscutíveis. Esta prática será um exercício que manterá a atenção no seu setor sempre em alerta, prevendo ações e imaginando como elas podem estar relacionadas às suas. Uma remodelação da indústria, conforme ilustrei, não é ruim. Ela é apenas ruim quando você não faz parte dela!