Será o Encontro do G20 uma piada de 1o de Abril???


O mundo vai focar seus olhos de maneira atenta para os resultados do Encontro do G20, que começa amanhã na cidade de Londres. Este, de forma especial, será sem dúvida nenhuma um dos eventos mais importantes para todas as nações do mundo, tendo em vista que importantes decisões DEVEM ser realizadas por lá se o objetivo for realmente trabalhar.

Minha principal preocupação nesta fase da crise é a maneira como os países estão interpretando a ideia de “proteger sua economia”. O protecionismo voltou a ser o grande vilão da história e se os líderes não voltarem de Londres com acordos devidamente regularizados o Mundo pode sofrer consequências graves. Uma matéria no site The Economist explica muito bem a situação: não estamos mais em um momento no qual “fechar as fronteiras” é algo positivo. Muito pelo contrário! O processo de globalização que vivemos nas últimas décadas fez com que o protecionismo fosse algo impensável, no sentido de levar a cada país uma parte do processo produtivo. Neste sentido, quando você corta um elo da cadeia, você perde competitividade.

O Brasil foi um dos poucos países que rejeitou medidas protecionistas quando o Governo tentou fazê-las. Seria um tiro no pé porque as indústrias brasileiras dependem de produtos estrangeiros para manter-se ativa, fato este que o próprio site enfatizou como um exemplo a ser seguido.

Desta forma, resta-nos torcer para que tudo dê certo e que este encontro não seja apenas mais uma piada de 1o de abril.

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As lições que o Brasil não aprendeu


Notícias nos telejornais informam que a crise não afetará o crescimento do Brasil em 2008 e que o vigor da economia mostrou-se mais forte do que qualquer analista poderia prever. O engraçado é que este vigor teve um grande impulso pelos principais motivos que levaram o mundo a entrar nesta crise. A grande oferta de crédito facilitou os investimentos no Brasil e a onda das IPO’s só foi possível justamente porque os investidores internacionais aterrissavam vorazes pela magia do dinheiro fácil.

Com pesar, no entanto, informo que assim como subimos, também vamos descer. Ao contrário do que afirmam os governos, o Brasil não vive uma situação tão favorável como eles dizem. É o dever deles fomentar a economia, sei disso, mas a minha preocupação é que eles se isentam da culpa. O vigor do nosso mercado consumidor não será suficiente para suplantar todas as tarefas de casa que deixamos de fazer enquanto a situação era favorável.

A “Carta ao Leitor” da última Revista Exame (03/12/2008) deixou claro que medidas que deveriam ser tomadas há vários anos terão a partir de agora a suas mais graves conseqüências porque, na euforia que vivíamos a algum tempo atrás, imaginamos que elas não seriam necessárias. Segundo Claudia Vassalo nossos problemas com a burocracia, o sistema tributário e leis trabalhistas, sem contar a infra-estrutura caótica com a qual precisamos conviver tiveram uma surpreendente época para serem superados e nosso Governo, feliz com os números, deixou de avaliar com profundidade nossas deficiências e deixou-se levar…

Acredito que só o amadurecimento da nossa população é que fará nosso país crescer. Isso porque os governantes, por melhor intencionados que sejam, só fazem aquilo que angariam votos. Nossas leis trabalhistas, por PIOR que sejam, iludem os trabalhadores e fazem com que os governantes não tenham coragem de nelas mexer. Infelizmente (no nosso caso) os governantes de um país são o reflexo da sua população. Antes que ela mude, teremos que amargar esse crescimento lento e sem fundamentos com os quais já estamos quase acostumados a viver.

Os dilemas de fomentar o crescimento


O último post (A crise é plana também!) gerou um comentário que, a princípio, pareceu-me irônico. Imaginar que os países são “bonzinhos” e que juntos buscarão a solução para que todos cresçam de mãos dadas é um tanto equivocada e eu não seria ingênuo a ponto de acreditar nisso. Pensando sobre o assunto lembrei de uma das aulas de macroeconomia que pode explicar a necessidade de agir de forma conjunta.

Se buscarmos na macroeconomia a explicação para que um país demore a tomar medidas contra a crise fica fácil entender. O fato é que a idéia de “crescer juntos” é a mais adequada, mas a mais barata é com certeza ACOMPANHAR o crescimento do outro. É melhor exemplificar:

Vamos isolar dois países, A e B, e imaginar que os dois estejam em crise. A crise, seja por qualquer natureza, fará a demanda diminuir e consequentemente teremos diminuição da produção e aumento do desemprego. O país A exporta para o país B. O país B exporta para o país A. Sendo assim, a diminuição da demanda em ambos países afeta a produção dos dois, pelo fato de estarem interligados (globalização????). Bem, o que isso tudo tem a ver com a crise?

O histórico das crises que o mundo já viveu mostra que sempre o crescimento voltou a existir. Voltando ao nosso exemplo, se o país A resolver enfrentar a crise tomando medidas que ativem a liquidez, fomentem a produção e o emprego e o país B NÃO TOMAR estas medidas quem será o maior BENEFICIADO no curto prazo é o país B. Estranho? Nem tanto…

Tomar medidas contra a crise são, na maioria das vezes, caras. As ações do governo A repercutirão pelos dois países, tendo em vista que os mercados são interligados e o crescimento de A fará com que as exportações de B aumentem novamente, iniciando um ciclo de crescimento que pode tirar ambos da crise.

Sendo assim, embora apenas o governo A tenha investido para sair da crise, ambos os governos foram beneficiados. A questão que fica é a seguinte: que país não gostaria de sair de uma crise sem gastar nada? TODOS!!! O fato é que, esperando que o outro país tome uma providência, normalmente deixa-se escapar o momento oportuno para tomar uma medida capaz de abafar a crise, tornando-a ainda maior!

Na atual crise que estamos vivendo não podemos trabalhar com a hipótese de apenas dois países. É o MUNDO INTEIRO que está interligado esperando que as medidas tomadas por um passem a surtir efeito em outro. No entanto, as proporções deste desafio não serão transpostas por medidas isoladas. Os países não podem se dar ao luxo de esperar que os pacotes dos países desenvolvidos tragam benefícios grátis aos subdesenvolvidos. EUA, União Européia e Japão, foram os principais afetados e tomaram a frente na luta contra a crise, mas Brasil, China, Índia e tantos outros devem ter em mente que está nas suas mãos a continuidade do trabalho para que os estragos possam ser amenizados e a curva de crescimento possa ser novamente positiva.

E a crise é plana também


mundo_planoUm dos melhores livros que já li com certeza é “O Mundo é Plano”, de Thomas L. Friedman. A conseqüência da leitura foi uma profunda reflexão sobre como o processo de globalização está fazendo com que os países estejam cada vez mais interligados e como essas relações estão interferindo na vida das pessoas e das companhias.

O objetivo deste post não é resumir a obra, mas apenas chamar a atenção sobre como ela está relacionada à atual crise global. As premissas do livro defendem que o desenrolar da tecnologia proporcionou às empresas que trabalhassem em diversos pontos do globo sem que isso afetasse sua produtividade. Pelo contrário, a diversificação nos pontos geográficos trouxe vantagens quando reduziu custos e aumentou os lucros. O ganho tecnológico fez com que as cadeias de suprimentos das empresas sofressem um choque, passando a operar em redes cada vez maiores e mais confiáveis.

Essas mesmas redes, que trazem confiabilidade e rapidez para as transações, no entanto, atuam com a mesma intensidade num momento de crise. Desta forma, os problemas deixam de ser específicos de um país porque normalmente a sua cadeia de produção envolve inúmeros outras regiões, que sofrerão igualmente os estragos.

O pequeno esboço criado aqui apenas justifica a necessidade de os governos continuarem a tomar medidas conjuntas para enfrentar a crise. Se os Estados Unidos não estiverem em sintonia com a União Européia, por exemplo, nenhuma das ações terá efeito positivo. Todos os governos devem ter a plena convicção de que não arrumarão a casa sozinhos e só a soma de suas ações é que realmente trará algum resultado.

Qual o valor que você atribui aos seus medos?


A crise mundial financeira que vem causando estragos pelo mundo inteiro é algo que me intriga. Por causa disso é um dos temas mais pesquisados e lidos por este que vos fala na tentativa de entender o porquê de todo esse caos. Ao confrontar o que aprendo nas aulas de macroeconomia com opiniões de especialistas percebo que o negócio está mais feio do que muitos poderiam crer e, a meu ver, ainda vai piorar mais um pouquinho.

Não vou entrar em detalhes econômicos da questão, até porque existem especialistas muito mais gabaritados do que eu para serem apreciados. No entanto, não poderia deixar de comentar a entrevista do filósofo francês Luc Ferry. Cheguei à sua entrevista através do Rafinha Spengler e, embora o texto não verse sobre crises ou economia em si, traz uma idéia fundamental que para mim é o centro de todas as incertezas que estamos vivendo. Ao falar sobre os medos cotidianos que a sociedade está criando ele afirma: Qualquer ameaça, como o terrorismo, o aquecimento global ou a gripe aviária, desperta uma neurose global. A angústia que essa histeria causa individualmente é mais prejudicial do que a ameaça a que ela se contrapõe.

Analise esta frase sob a ótica dos mercados financeiros. O temor criado e o barulho feito com cada resultado negativo que se apresenta está tornando-se muito maior do que as medidas positivas que os governos estão tomando. Isso, no entanto, não significa que as medidas são insuficientes ou que os maus resultados são superiores às medidas. É o medo que toma conta dos investidores o principal motivo para que o processo de reestruturação seja mais lento e enquanto a mentalidade deles não se modificar amargaremos mais dias de penúria.