A Palhaçada dos Estádios de Futebol Brasileiros


É incrível como a realidade do nosso Futebol não “confere” com o sonho de todo presidente de Clube ao vislumbrar “o maior e mais moderno” estádio para o seu time. Passada a Copa das Confederações e a um ano da Copa do Mundo eu vejo com desprezo o esforço que centenas de governantes e dirigentes fizeram para construir monumentais Elefantes Brancos para o nosso futebol.

Basta olhar a média de público dos jogos para perceber que não existe motivos para construirmos estádios para 60 mil pessoas quando a média não passa de 30% disso. Ou seja, gastamos BILHÕES DE REAIS construindo estádios que são, para ser bem camarada, sub utilizados pela sociedade.

Se você ainda não se convenceu pense da seguinte forma:

  • Faz sentido um empresário contratar 3 funcionários se ele só precisa de 1 para fazer o serviço?
  • Faz sentido contratar 3 empregadas domésticas para limpar um apartamento de 50m2?

A resposta é NÃO!

Não estou dizendo que os estádios não devem ser modernizados, mas não faz sentido eles serem do tamanho que são. O fato de ter dois ou três clássicos no ano que vendem todos os ingressos não justifica os outros 60 jogos que o estádio está vazio.

Nunca vi um hospital sub utilizado, uma escola com professores sobrando, mas estádio de futebol com cadeiras vazias, isso eu vejo todo o domingo. Vale a reflexão.

lá se foi o Florestal…


O fato já ocorre há alguns dias, mas pra quem não sabe finalmente o Lajeadense conseguiu vender o seu estádio e agora procura uma “nova casa” para morar. Ao que tudo indica, a ideia de reformar o antigo Estádio e deixá-lo próximo a sua comunidade não ganhou muita simpatia da Diretoria que agora vai correr pra construir um novo até 2011, ano do centernário do Clube.

lajeadense1

Estádio vai virar empreendimento imobiliário... já o time não se sabe ao certo

Eu já havia expressado um pouco da minha opinião a respeito num outro post, que até foi citado no blog de uma outra lajeadense que não gostou muito da ideia, mas agora o que era um plano virou realidade. Conversei com algumas pessoas e a opinião não é absoluta. Uns defendem o novo projeto, outros afirmam que não foi uma boa decisão.

Após pensar um pouco, elegi algumas constatações (não chegam nem a ser opiniões):

  • O dinheiro da venda do estádio não é suficiente para o projeto que estão prometendo;
  • O Lajeadense, depois de se mudar para a nova casa, vai ter que manter uma sequência muito boa de vitórias para tentar fazer a população ir até os cafundó para assisti-lo. Atualmente ele joga no MEIO DA CIDADE e não consegue atrair mais do que 500 pessoas por jogo;
  • Caso não monte boas equipes e dispute as primeiras colocações, o clube ficará abandonado, só que desta vez escondido no meio do nada. Com o local onde pretendem construí-lo, não me espantaria ver notícias no jornal dos assaltos que o clube vá sofrer;

Dito isso, quero dizer que eu realmente espero estar enganado!

Espero que o novo projeto revigore uma parte esquecida e atraia investimentos para aquela parte da cidade. Torço para que o Clube retome a expressão que já pussuiu ganhando títulos, especialmente a da 1ª Divisão do Gauchão, quem sabe até beliscar a Série C do Brasileiro.

Espero que esse projeto não seja apenas para inserir nomes na Pedra Fundamental… a última coisa que Lajeado precisa é mais gente querendo cortar fitas em projetos de resultado pouco palpável.

Lajeadense: desse jeito vai?


Por que o universo que foi desenhado no ano passado não se tornou realidade?
por Rafael Zanatta

logo_lajeadenseUm dos primeiros posts que eu escrevi para o blog estava cheio de expectativas a respeito do futuro reservado para o Esporte Clube Lajeadense nessa “nova era” comandada pela família Giovanela. A realidade, porém, está longe daquela que eu cogitava.

O fato é que os resultados, tanto dentro quanto fora de campo, não vão bem. Dentro de campo, o que vemos são alguns jogos perdidos por detalhes, mas que expõem a realidade: não dá pra sonhar com título com um time como esse. Fora do campo, o que percebemos é um esforço de algumas pessoas em dar ritmo ao projeto, mas alguns pontos deixam a desejar.

o       O primeiro é a falta de adesão da população de Lajeado diante do novo projeto: a ideia de 1000 sócios não chegou nem nos 50%, o que de certa forma não dá fôlego financeiro para o clube.

o       Um segundo fator importante surge da lentidão dos processos administrativos. Por exemplo: pelo que me consta as carteirinhas dos sócios ainda não ficaram prontas.

o       O terceiro ponto é, também, relacionado ao lado financeiro. Futebol sem $dinheiro$ não existe! No início do novo projeto falaram em centenas de empresas que ajudariam com patrocínios pequenos, mas regulares e que somariam um “bolo” delicioso. Cadê? Quem se responsabilizou por isso?

o       Por fim, tem toda essa história de construção do novo estádio que estão cogitando e que só está servindo para desviar a atenção do que realmente interessa. Esqueçam isso! Em uma hora de conversa de bar eu e o Sivinski criamos uma ideia muito mais atrativa para o Clube que não implicaria em todos os riscos que estão querendo correr. Querem construir um “estádio europeu” numa cidade que não enche nem um ginásio.

Enfim, é melhor o Lajeadense planejar melhor. Ano que vem tem o Brasil de Pelotas na segunda divisão e uma das vagas é dele! Acredito que ainda exista um intervalo de tempo para organizar melhor a casa, mas as prioridades neste caso devem estar muito bem definidas para que não existam desvios na hora de pensar futebol.

A importância da credibilidade


Normalmente as pessoas procuram justificar o sucesso de algum projeto pela qualidade pela qual ele foi elaborado. Com base nesta prerrogativa, as tentativas frustradas de alguns empreendedores são julgadas de uma maneira equivocada, confundindo o insucesso com incompetência ou falta de determinação.

No entanto, para que um projeto possa ser desenvolvido e gerar os frutos desejados é preciso muito mais do que apenas competência por parte dos seus organizadores. A credibilidade, por conseqüência, passa a ser um dos elementos fundamentais para que o sucesso seja alcançado porque é uma variável sob avaliação externa. Os empreendedores podem criar ferramentas que instiguem a credibilidade, mas somente a aceitação do público e dos envolvidos indiretamente é que vai determinar se o projeto vai seguir adiante ou não.

A idéia de discutir sobre o tema “credibilidade” partiu de algumas observações que eu tenho feito de um período para cá. Nesse tempo percebi que projetos, mesmo sem fundamentos concretos, podem ser incrivelmente impulsionados com a aceitação e consequente transferência de credibilidade por parte das pessoas.

O Esporte Clube Lajeadense reformulou sua presidência e agora planeja o seu centenário, que acontecerá em 2011. Até aí nenhuma novidade. No entanto, desta vez não é apenas uma nova figura na presidência e um conselho deliberativo imaginando o time ideal para quem sabe beliscar o título. Estamos vivenciando um novo momento no Florestal, no qual a sociedade vê nas ações de Giovanela um novo futuro para um clube que teve a sua imagem desgastada com o passar dos anos, vítima de administrações egoístas e sem a visão do todo. Imaginavam que o simples fato de abrir os portões e contratar meia dúzia de atletas era suficiente para fazer futebol, esquecendo-se de prestar contas à sociedade, que desejava o sucesso do clube tanto quanto eles.

Nesta nova fase, na qual Nilson e Everton se engajaram na busca por um Lajeadense novamente imponente dentro do estado do Rio Grande do Sul é possível perceber que as bases estão sólidas e que a credibilidade, fruto da confiança que a sociedade deposita no trabalho de todos que estão à frente deste audacioso projeto está em alta. Este fator não irá, por si só, trazer o sucesso que o Clube merece. No entanto, será fundamental para que o trabalho das pessoas que aceitaram o desafio de torná-lo real seja levado adiante. O futebol é resultado de um esforço coletivo em torno de uma causa comum. Esta lição os envolvidos no projeto já entenderam. A sociedade, a partir de agora, será o combustível para que essa mudança torne-se realmente realidade.