Para que serve uma enciclopédia?


Presumo que possuir enciclopédias, antigamente, significava responsabilidade com o saber. A internet, naquela época, não era tão difundida quanto é atualmente e a idéia de possuir “conteúdo universal” era interessante. Lembro que minha mãe comprou nossa enciclopédia por causa disso: ela imaginava que precisaríamos dela nos trabalhos que viríamos a fazer para a escola.

No momento que estaríamos prontos para utilizar a tal enciclopédia, no entanto, surgiu a internet e sua infinidade de conteúdo a um “ctrl C ctrl V”. Bem ou mal, hoje ela serve como apoio para o computador e agora, com a nova invenção do meu irmão, como apoio para o ventilador também. Essa forma de desrespeito com os pesquisadores que levaram anos para organizar todo o conteúdo incomoda-me. Por várias vezes pensei em doar para alguma biblioteca ou escola pública, mas novamente vem à cabeça a imagem de criancinhas de 7 anos de idade recortando as figuras para fazer seus cartazes…

A dura realidade é que todo o conhecimento que ela, enciclopédia, deve abrigar nos seus vinte volumes não deve ultrapassar uma mínima parte de toda a informação que temos disponível hoje na internet. Em poucos anos ultrapassamos todo o conhecimento criado durante séculos, reinventando o saber a ponto de sentirmo-nos sufocados com a quantidade de novas pesquisas a nossa disposição a um simples clique.

Para quem algum dia ganhou dinheiro vendendo enciclopédias deve ser como um filme de terror ver uma foto como essa. Para uma criança de 10 anos, no entanto, o que pode chamar a atenção é a velhice do ventilador, que poderia muito bem ser trocado por um ar-condicionado.