ideias mirabolantes


Quando eu terminei o Ensino Médio, na cerimônia de formatura, minha amiga Ale, oradora na ocasião, descreveu-me como o “Cara das ideias mirabolantes“. Acho que a frase não foi pronunciada sem razão. Duas semanas antes daquele dia minha turma via-se sem nenhum projeto condizente com os desejos de ter uma formatura legal, com tudo aquilo que hoje já virou normal, mas que na época era difícil de organizar.

Com as ideias anotadas, lá foi o Zanatta e o Marcelo (colega até então e sócio nessas empreitadas) a organizar tudo, recolher fotos, fazer apresentações, alugar projetor, equipamentos de som, organizar o protocolo, com o texto para os oradores e tantas outras coisas que vocês não possuem nem ideia que são necessárias (até a água para o pessoal que ficaria na mesa da cerimônia).

É claro que a gente contou com a ajuda de muitas pessoas, mas a imagem de uma formatura do jeito que a gente sonhou era o que motivava para que tudo fosse completo nos seus mínimos detalhes, mesmo que exigisse algumas oras a menos para dormir.

sonhar pequeno ou grande dá o mesmo trabalho 😉

Hoje, 6 anos após aquela formatura, entreguei meu Trabalho de Conclusão para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estou, tecnicamente, formado em Administração de Empresas. Nesse meio tempo eu viajei por um ano, trabalhei, estudei, mas nunca deixei de imaginar coisas diferentes que eu pudesse fazer. As ideias mirabolantes continuam a existir e criam longas discussões sobre o que poderia ser melhor ou pior, mesmo que depois o projeto seja engavetado e vire história para contar.

Ter ideias mirabolantes é o mesmo que sonhar, já que o sonho é feito com coisas que estão um pouco longe de onde a gente está, mas que são o combustível para que tenhamos força para buscá-lo. O fato de sonhar ou imaginar uma situação é motivação para levantar e realmente fazer algo que torne a nossa vida melhor!

Enfim, esse texto é apenas para dizer para a minha amiga Ale, e para todos aqueles que me conhecem, que o cara das ideias mirabolantes tá ficando cada dia pior! 🙂 Estou seguindo a ideia que o Diretor da empresa onde eu trabalho falou esses dias: Sonhar pequeno ou sonhar grande dá o mesmo trabalho, então, sonhe grande oras!

É isso aí pessoal! Que o novo ano que inicia seja repleto de novos sonhos e de energia para conquistá-los, cada um em seu momento! Um grande abraço a todos e muito obrigado pelas visitas! São elas que dão sentido a esse blog!

Feliz 2010 a todos!

Minha empresa é a melhor!


Um dos aspectos mais perigosos na condução de negócios, sejam eles de qualquer natureza, é pensar que as soluções proporcionadas pela empresa aos clientes são as melhores do mercado. Em momentos como esse toda a organização se enche de uma falsa humildade, estufando o peito e acreditando na ideia de que nada que exista, ou que esteja surgindo, é capaz de abalar a “situação sólida que a empresa conquistou nos últimos anos”.

O fato é que não existe mais situação sólida que se sustente por muito tempo. Enquanto os Diretores apresentam os números espetaculares de vendas os demais concorrentes estão pensando(e agindo) em qual o tipo de solução que eles poderiam oferecer aos seus clientes para que possam continuar a crescer.

Sob estas circunstâncias torna-se realmente perigoso abrigar-se atrás das cercanias da empresa e ficar apenas emitindo pedidos. Nunca o fato de conhecer os consumidores esteve tão em evidência e as organizações que conseguem fazer isso possuem hoje uma nítida vantagem.

De modo simples, poderíamos realizar um diagnóstico sobre como anda a companhia:

Você está satisfeito com o seu produto?

  • Resposta 1: Muito satisfeito. As vendas seguem normais e não tenho dúvidas de que conseguimos satisfazer plenamente os nossos clientes com os produtos que possuímos no mercado.
  • Resposta 2: Estou contente, mas é preciso estar atento às mudanças que vem ocorrendo. As vendas estão em um nível bom, mas pararam de crescer há 6 meses, o que pode indicar que nossos clientes encontraram uma solução diferente das nossas para resolver seus problemas. Temos que avaliar o que os consumidores estão pensando e o que os concorrentes estão fazendo.

qual das duas?

Enquanto que um Diretor contenta-se com uma situação regular o outro preocupa-se com a normalidade das vendas e procura alternativas, avaliando tanto os consumidores quanto os concorrentes. Tirado o fundo hipotético do exemplo, é mais ou menos isso que as organizações precisam fazer para que possam permanecer no mercado. Antes de mais nada, é preciso ter humildade suficiente para perceber quando é hora de tirar o time (produto) de campo e partir para outro tipo de oferta.

No entanto, não é preciso chegar ao fundo do poço para que a situação seja percebida e a empresa encontre outro nicho para explorar. Esse exercício deve ser feito constantemente, aliando o lançamento de novos produtos enquanto que os tradicionais ainda possuem força no mercado. Movimentos como esse trazem boa visibilidade para a sua empresa diante dos consumidores, que percebem que você está se esforçando para atender às expectativas daqueles que, no extremo, são aqueles que mantém a organização funcionando.

Em resumo: jamais fique mais de uma semana sem conversar com algum consumidor do seu produto ou visitar uma gôndola onde seus produtos estejam expostos. Seu produto não é o melhor do mundo e eu garanto, há milhares de pessoas esperando o seu vacilo para poderem crescer.

Gargalos do Diamante Gaúcho – BR 386


Na semana passada eu iniciei uma discussão a respeito dos gargalos que o Estado do RS precisaria superar para que o Diamante Gaúcho pudesse realmente acontecer. O que me motivou a escrever sobre isso foi o incrível congestionamento que eu tive que enfrentar na última sexta-feira, quando voltava de Porto Alegre para Lajeado.

Pasmem: eu demorei 40 minutos para percorrer 5 km.

Embora a BR 386 seja duplicada a partir da saída de Canoas, existe uma pequena ponte que não foi duplicada e que obriga o trânsito a andar em fila simples, gerando, claro, PARALISIA TOTAL. Ou seja, realizaram uma obra de centenas de milhões de reais e esqueceram de colocar a cereja no bolo, criando transtornos e perdas para todo mundo que trafega pelo trajeto.

Enquanto eu dirigia eu ainda comentei com o meu irmão: “O pior de tudo é que se um grupo de empresas resolve se juntar para duplicar essa ponte provavelmente não será possível”. Nosso Governo não consegue promover as obras necessárias e nem mesmo busca criar mecanismos para que a sociedade possa se mobilizar. Resta-nos “apontar o dedo” e convencê-los de que a situação é ruim e precisa de ação imediata, para que talvez daqui a 10 anos as obras comecem…

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Esse foi apenas um pequeno exemplo do que eu pretendo com esses posts. Se você possuir alguma ideia de problemas que merecem destaque, por favor, entre em contao 😉

Diamante Gaúcho: ainda falta muito


Há algum tempo eu escrevi um post baseado em uma matéria da Revista Exame que tratava do “Quadrilátero Paulista”, uma região no estado de São Paulo que possui características de primeiro mundo e que tornou-se um dos pólos econômicos do país pela moderna infraestrutura que possui.

A partir daquele texto eu busquei adaptar a ideia para o Rio Grande do Sul, tentando encontrar no mapa do estado a região que poderia tornar-se uma novo exemplo de quadrilátero. Para minha surpresa, o que encontrei foi uma figura com 5 lados, que me lembrou o formato de um Diamante.

Daí surgiu o título para a região: Diamante Gaúcho! Nos primeiros textos eu procurei dar exemplos das características que tornavam esta região a mais importante do Estado, mas agora percebo que eu cometi um equívoco ao considerá-la um “novo quadrilátero”.

De fato, há inúmeras características que tornam a região importante, mas os problemas básicos que ela apresenta tornam difícil o seu crescimento. Daí, surgiu-me a ideia de investigar quais seriam os principais gargalos que impedem a região de crescer e se desenvolver e assim, já na próxima semana, vou começar a postar sobre os problemas que devem ser resolvidos se a região realmente deseja tornar-se referência nacional e internacional.

Ideias são sempre bem vindas, até porque é impossível eu conhecer os problemas de cada região. Aos poucos cada um pode dar a sua contribuição para resolvermos, de forma simples, os problemas que ainda emperram o nosso crescimento.

Matérias relacionadas:

a função da Universidade (I)


Durante a faculdade, especialmente às vésperas da entrega do trabalho final que põe fim a um ciclo de aproximadamente 5 anos, é comum encontrar estudantes enfurecidos com a maneira como a faculdade foi apresentada ou então, para simplificar o exemplo, com as regras que precisam ser seguidas para o desenvolvimento do Trabalho Final.

Ontem, antes de começar a discussão sobre o assunto, interrompi o meu colega e falei que o MSN não era o local mais apropriado para uma discussão desse tipo, mas talvez esse blog sirva para expor algumas das malformuladas ideias deste autor que vos fala.

Antes de qualquer coisa, acredito que as pessoas confundem CURSO TÉCNICO com o objetivo das Universidades e é por isso que se revoltam tanto.

As pessoas reclamam que precisam estudar matérias “que nada tem a ver com o seu curso”, mas se esquecem que estão em um ambiente que não visa apenas formar um profissional especializado. A Universidade, ao meu ver, é o lugar onde indivíduos tomam consciência de coisas que vão muito além de um simples Balanço Patrimonial ou dos 4P´s do Marketing (utilizando o exemplo do curso de Administração).

Para mim, a Universidade é um local propício para que a Ciência aconteça. Um local onde diferentes ideias são capazes de criar coisas novas e essas, por consequência, alterarem comportamentos. Utópico? Talvez, mas essa ideia é bem mais aceitável do que aquela que crê na capacidade de um curso de dois anos formar alguém capaz de formular algo realmente inovador.

O fato é que, antes de reclamarem de normas científicas os alunos deveriam realmente entender o que eles estão procurando. Se o estudante deseja uma formação específica, que o ensine a utilizar as ferramentas financeiras ou as de marketing, por exemplo, ele está buscando um Curso Técnico e não uma Universidade.

Não se pode culpar a Universidade por não oferecer aquilo que o Aluno deseja, mas sim alinhar previamente as expectativas para que os egressos não sejam tão insatisfeitos, ao pensar que “gastaram” 5 anos estudando algo que não precisavam.

Isso aqui vai dar mais discussão, mas vamos limitar o assunto por aqui.