Uma creche para os PAIS


Uma matéria realmente interessante foi publicada na Revista Exame, intitulada “O Bê-á-Bá para Pais e Mães”. Nela, a revista mostra a importância que os pais tem no desenvolvimento dos seus filhos já nos primeiros anos de vida e lista uma série de países que vem investindo pesado nesses programas como forma de desenvolver as futuras gerações.

Ou seja, quando os pais “investem” o seu tempo brincando com os filhos eles estão criando as bases que a criança vai levar para o resto da vida. Coordenação Motora, Habilidade de Comunicação, Sociabilidade. Esses são alguns dos aspectos que, segundo os pesquisadores, podem ser incentivados desde o nascimento e fazem a diferença quando a criança.

relacao pai e filho 3É por isso que neste tipo de programa a atenção volta-se para os pais, e não apenas para as crianças. Isso porque ao chegar à creche/escola a criança já passou por uma série de situações e “ensinamentos” vindos dos pais e que, em alguns casos, podem influenciar no seu comportamento para o resto da vida.

Desta forma, os Governos estão instituindo programas que visam, literalmente, ensinar os Pais a terem uma influência mais positiva no aprendizado dos seus filhos. Dificilmente um programa como esse vai ajudar um pai a “amar mais o seu filho”, mas eles expressam a importância que brincadeiras e até a simples conversa possuem no desenvolvimento das habilidades físicas e mentais das crianças.

Acredito que esse é um dos caminhos para diminuirmos a desigualdade social, tão discutida nesses últimos dias. Não é uma maneira de curto prazo, como um Bolsa Família ou um Auxílio qualquer, mas é algo que realmente pode impactar a sociedade no longo prazo. Se tivermos crianças com habilidades elevadas entrando nas escolas elas terão mais oportunidades ao longo das suas vidas.

Já vemos isso acontecendo nas classes média/alta, onde os pais tentam incentivar as crianças desde cedo. Se conseguirmos convencer os pais das classes mais baixas que eles possuem total influência na vida de seus filhos desde os primeiros meses de vida, aí sim, conseguiremos lutar contra a desigualdade.

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Os discursos políticos e suas falácias


Em ano de eleição é comum discursos acalorados surgirem nos dois extremos políticos do Brasil. Como uma semana pré Grenal, partidários de cada um dos lados se munem de argumentos para defender o seu lado, esquecendo da lógica para analisá-los. Isso é normal e já aprendi a lidar com isso. No entanto, ainda não consegui aprender a lidar com pessoas que desvirtuam a realidade para que seus argumentos possam ser utilizados.
 
encruzilhada

O que queremos de verdade? Estar certo ou “querer” estar?

É muito difícil aceitar que a famosa ascensão da classe média tenha surgido por um toque de mágica do Governo. Só é possível dedicar todos os créditos ao Governo se “esquecermos” que estamos vivendo um boom demográfico (quando a parcela de pessoas trabalhando se iguala ou supera as pessoas que não trabalham) e que houve uma avalanche de crédito a partir de 2002 que possibilitou às empresas passar a vender os seus bens com financiamentos mais espaçados.

Para ficar apenas neste exemplo, creio que nos acostumamos a ver meias verdades. Ao discursar, usamos informações que nos interessam e lançamos descrédito àquelas que desmentem o que estamos falando. Ao defender, por exemplo, que o Governo é o responsável pelo menor desemprego da história deixamos de dar importância aos inúmeros problemas que as empresas enfrentam todos os dias para lidar com a situação dos seus funcionários. Com uma Legislação Trabalhista arcaica oneramos e atrapalhamos a vida de empresários e trabalhadores e assim, ao ficar no lado raso da discussão, usa-se o número e ponto: “estou certo e nada mais importa”.

É esse tipo de argumentação que tira do sério qualquer um que olhe com uma lente um pouco mais apurada a situação que vivemos. Não dá para aceitar ou acreditar que devamos continuar com o modelo que adotamos até agora. Ele não está funcionando e é preciso que se altere o rumo antes que afundemos de vez. É por isso que precisamos parar de acreditar em meias verdades e olhar a situação como ela é.

– Estamos conduzindo nossa economia de maneira errada, apadrinhando partidários e prejudicando o cenário de negócios. Há incerteza e as empresas não tem motivação para investir porque as regras mudam o tempo inteiro.
– Esquecemos os pilares que nos trouxeram até aqui e não estamos fazendo a lição de casa em relação à inflação e aos gastos públicos.
– Deixamos de avançar em questões cruciais ao crescimento, como Reforma Tributária, Fiscal e Trabalhista.
– Nossa Saúde, Educação e Segurança Pública são um lixo.

Nenhuma destas questões é fácil de resolver e justamente por isso não são atacadas como deveriam. Assim como uma estrada esburacada, o Governo faz de vez em quando uma “operação tapa buracos” para esconder o problema, mas na primeira chuva eles aparecem novamente.

É por isso que precisamos encontrar, não importa de que partido, uma liderança que se esforçe genuinamente para mudar a realidade senão vamos perder todas as pequenas conquistas que tivemos nos últimos anos (acredite, elas são muito pequenas perto do que precisamos). É preciso entender de uma vez por todas que avanços sociais permanentes surgem com o desenvolvimento econômico e não com esmolas pontuais.

E por fim, temos que parar de pensar nos partidos como se fossem nossos times de futebol. Se algum partido faz algo bom ele deve ser elogiado, mas se fizer besteira ele não pode merecer nosso perdão por ser nosso “partido preferido”. Somente nesse momento vamos passar a encarar a política como sendo um instrumento que deve se mover a nosso favor, e não o contrário.

O que faltou para a SELIC ficar em 7%?


Ontem, dia 10/07/2013, com uma decisão unânime o Comitê do Banco Central decidiu aumentar em 0,5% a SELIC, taxa básica de juros da economia brasileira. Foi uma decisão que não surpreendeu ninguém, tendo em vista que faz parte de uma série de aumentos que vem sendo promovidos devido à disparada da inflação que vem ocorrendo desde o início do ano. A ideia desta medida é conter a demanda, dificultando financiamentos e assim diminuir o consumo para que os preços possam estabilizar (ou até mesmo baixar).

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O 3o aumento, nas últimas 3 reuniões, mostra que o Banco Central ainda tem um pouco de preocupação com os rumos que a Economia vem tomando, ao contrário do Governo que abandonou completamente o Tripé que sustentou nossa economia nos últimos anos (Câmbio Flutuante, Metas de Inflação e Responsabilidade Fiscal – Metas de Superávit). Para tristeza do Governo a política inconsequente de manter os juros baixos até a eleição não será possível e felizmente o Banco Central resolveu intervir para não acontecer o pior.

O fato é o seguinte: NUNCA estivemos habilitados a manter uma taxa Selic em torno de 7%. Quem defende isso é líder sindical que não sabe fazer conta!

Política Monetária não pode ser feita na base do discurso. Com ela é preciso uma Agenda de Investimentos que possam suprir os gargalos que naturalmente aparecem quando existe uma alta no consumo promovida pela baixa dos juros. Ou seja, baixar ou aumentar os juros é uma manobra artificial, que com um “canetasso” pode ser feita. No entanto, para que uma política de juros baixos possa ser sustentada existe uma imensa tarefa no Lado Real da Economia, que consiste no investimento em estradas, ferrovias, portos desburocratizados, produtividade da mão de obra e leis tributárias e trabalhistas condizentes com o atual momento econômico.

É exatamente por isso que, menos de 10 meses após o Brasil chegar à inédita taxa Selic de 7,25%, o COPOM precisa dar um passo atrás e aumentar os juros. Com o aumento do consumo e os históricos e visíveis gargalos que o nosso país enfrenta em infraestrutura era questão de tempo que a Inflação voltasse a nos visitar.

Governantes, prestem atenção! A Inflação não é uma “marolinha” e precisa ser combatida com todas as forças para que não se transforme em um tsunami e arrase a nossa economia como já fez tantas vezes. Comecem a trabalhar e façam o que precisa ser feito para colocar o Brasil novamente nos trilhos.

Precisamos urgentemente de uma Reforma Fiscal, Tributária e Trabalhista para que os custos das empresas diminuam e seja possível investir. País que não investe é país que não cresce. Chega de PIBinhos. O Brasil pode ser muito maior do que é!