Tomar decisões


Quando eu estava ainda nos primeiros semestres do curso de administração deparei-me com um professor de economia afirmando que “tomar decisões” é o maior desafio dos administradores e que aqueles cinco anos aos quais estávamos dispostos a nos dedicar só seriam de fato bem sucedidos se conseguíssemos colocar esta habilidade em prática.

Os anos se passaram e agora percebo que aquelas palavras, ditas numa manhã chuvosa de sexta-feira, eram de fato verdadeiras. O fato é que o cotidiano nos impõe decisões constantemente. Elas aparecem nas questões mais simples como planejar um final de semana com a família e extendem-se até intrincados desafios que nos deparamos nas empresas.

A habilidade de tomar decisões, para mim, é uma das mais importantes dentro daquelas exigidas a qualquer candidato. Isso porque você pode ser o mais talentoso gerente de marketing ou chefe de produto, mas se não souber tomar decisões acertadas cairá logo após alguns fracassos. Além disso, decisões devem ser tomadas no tempo certo sob pena de perder oportunidades. O presidente da Unilever passou a exigir que seus diretores passassem a tomar decisões de forma mais rápida quando percebeu que oportunidades estavam sendo desperdiçadas em idas e vindas, cálculos e previsões. Para ele, de nada adianta chegar a melhor solução quando já é tarde demais e por isso criou a seguinte regra: quando possuir 70% de certeza, decida!

Simples? Nem tanto assim. Primeiro porque é difícil saber quando se chegou aos 70%. Em seguida, percebe-se que neste ponto você tem pouco mais de 2/3 da informação, mas deve agir. É aí que surgem aqueles que realmente fazem acontecer. São gestores que percebem o momento de agir mesmo não tendo os dados completos atestando que a empreitada será um sucesso. São aqueles que conseguem adiantar-se aos concorrentes e lançar o produto com seis meses de antecedência, visualizando no share a importância daquela decisão que tornou o seu produto um pioneiro.

Nosso desafio, diante desta realidade, é saber a importância desta habilidade e passar a aprimorá-la a partir dos aspectos mais corriqueiros. Para que possamos tomar decisões é preciso que desenvolvamos, antes de tudo, autoconhecimento. É com ele que teremos a capacidade de avaliar se nossos passos estão sendo tomados, pelo menos, na direção certa.

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Para que serve uma enciclopédia?


Presumo que possuir enciclopédias, antigamente, significava responsabilidade com o saber. A internet, naquela época, não era tão difundida quanto é atualmente e a idéia de possuir “conteúdo universal” era interessante. Lembro que minha mãe comprou nossa enciclopédia por causa disso: ela imaginava que precisaríamos dela nos trabalhos que viríamos a fazer para a escola.

No momento que estaríamos prontos para utilizar a tal enciclopédia, no entanto, surgiu a internet e sua infinidade de conteúdo a um “ctrl C ctrl V”. Bem ou mal, hoje ela serve como apoio para o computador e agora, com a nova invenção do meu irmão, como apoio para o ventilador também. Essa forma de desrespeito com os pesquisadores que levaram anos para organizar todo o conteúdo incomoda-me. Por várias vezes pensei em doar para alguma biblioteca ou escola pública, mas novamente vem à cabeça a imagem de criancinhas de 7 anos de idade recortando as figuras para fazer seus cartazes…

A dura realidade é que todo o conhecimento que ela, enciclopédia, deve abrigar nos seus vinte volumes não deve ultrapassar uma mínima parte de toda a informação que temos disponível hoje na internet. Em poucos anos ultrapassamos todo o conhecimento criado durante séculos, reinventando o saber a ponto de sentirmo-nos sufocados com a quantidade de novas pesquisas a nossa disposição a um simples clique.

Para quem algum dia ganhou dinheiro vendendo enciclopédias deve ser como um filme de terror ver uma foto como essa. Para uma criança de 10 anos, no entanto, o que pode chamar a atenção é a velhice do ventilador, que poderia muito bem ser trocado por um ar-condicionado.

A Brigada Militar e as férias


A notícia de que a Brigada Militar da minha cidade está realizando uma operação de verão ressuscitou uma triste lembrança. Há um ano eu perdi a minha carteira na frente da minha casa. Fui perceber o ocorrido apenas na manhã seguinte, quando um rapaz entrou em contato comigo perguntando se eu estava interessado na carteira e se ele poderia ganhar “algum” de recompensa. Naquela altura pensei até em recompensar o rapaz por ter encontrado meus documentos e toda a parafernalha que se tem dentro de uma carteira.

Mesmo assim, tratei de ligar para a Brigada Militar para me informar sobre como eu deveria proceder, tendo em vista que ele me pediu dinheiro pela carteira, fato que caracterizou “extorsão”! Resumindo a história: algumas horas depois o delinqüente me ligou e disse que iria queimar a minha carteira com tudo que tinha dentro porque eu havia ligado para a polícia.

“Espera aí! Como você sabe que eu entrei em contato com a Brigada?”, perguntei eu.

Ele me respondeu que tem um amigo lá dentro e que ele teria ligado para essa mais delinqüente ainda pessoa para saber se alguém teria dado queixa do sumiço de uma carteira. “Eu trabalho como segurança meu velho, não posso ter queixa na polícia!”, retrucou ele na última conversa que tivemos. A esta altura eu já havia bloqueado cartões e encaminhado boletim de ocorrência, mas o trabalho e o custo para refazer documentos pesaram. Fora isso, ficou a indignação de saber que bandidos como esse estão aí fora cuidando de residências e empresas. Essas mesmas pessoas serão aquelas que voltarão com uma máscara no rosto e uma arma na mão.

Depois de contada esta história eu pergunto: você acha que eu vou ligar para a Brigada Militar e avisar que eu estou saindo de férias? Por incrível que pareça, quanto mais longe eu estiver dessa gente, MELHOR!

As lições que o Brasil não aprendeu


Notícias nos telejornais informam que a crise não afetará o crescimento do Brasil em 2008 e que o vigor da economia mostrou-se mais forte do que qualquer analista poderia prever. O engraçado é que este vigor teve um grande impulso pelos principais motivos que levaram o mundo a entrar nesta crise. A grande oferta de crédito facilitou os investimentos no Brasil e a onda das IPO’s só foi possível justamente porque os investidores internacionais aterrissavam vorazes pela magia do dinheiro fácil.

Com pesar, no entanto, informo que assim como subimos, também vamos descer. Ao contrário do que afirmam os governos, o Brasil não vive uma situação tão favorável como eles dizem. É o dever deles fomentar a economia, sei disso, mas a minha preocupação é que eles se isentam da culpa. O vigor do nosso mercado consumidor não será suficiente para suplantar todas as tarefas de casa que deixamos de fazer enquanto a situação era favorável.

A “Carta ao Leitor” da última Revista Exame (03/12/2008) deixou claro que medidas que deveriam ser tomadas há vários anos terão a partir de agora a suas mais graves conseqüências porque, na euforia que vivíamos a algum tempo atrás, imaginamos que elas não seriam necessárias. Segundo Claudia Vassalo nossos problemas com a burocracia, o sistema tributário e leis trabalhistas, sem contar a infra-estrutura caótica com a qual precisamos conviver tiveram uma surpreendente época para serem superados e nosso Governo, feliz com os números, deixou de avaliar com profundidade nossas deficiências e deixou-se levar…

Acredito que só o amadurecimento da nossa população é que fará nosso país crescer. Isso porque os governantes, por melhor intencionados que sejam, só fazem aquilo que angariam votos. Nossas leis trabalhistas, por PIOR que sejam, iludem os trabalhadores e fazem com que os governantes não tenham coragem de nelas mexer. Infelizmente (no nosso caso) os governantes de um país são o reflexo da sua população. Antes que ela mude, teremos que amargar esse crescimento lento e sem fundamentos com os quais já estamos quase acostumados a viver.