Os discursos políticos e suas falácias


Em ano de eleição é comum discursos acalorados surgirem nos dois extremos políticos do Brasil. Como uma semana pré Grenal, partidários de cada um dos lados se munem de argumentos para defender o seu lado, esquecendo da lógica para analisá-los. Isso é normal e já aprendi a lidar com isso. No entanto, ainda não consegui aprender a lidar com pessoas que desvirtuam a realidade para que seus argumentos possam ser utilizados.
 
encruzilhada

O que queremos de verdade? Estar certo ou “querer” estar?

É muito difícil aceitar que a famosa ascensão da classe média tenha surgido por um toque de mágica do Governo. Só é possível dedicar todos os créditos ao Governo se “esquecermos” que estamos vivendo um boom demográfico (quando a parcela de pessoas trabalhando se iguala ou supera as pessoas que não trabalham) e que houve uma avalanche de crédito a partir de 2002 que possibilitou às empresas passar a vender os seus bens com financiamentos mais espaçados.

Para ficar apenas neste exemplo, creio que nos acostumamos a ver meias verdades. Ao discursar, usamos informações que nos interessam e lançamos descrédito àquelas que desmentem o que estamos falando. Ao defender, por exemplo, que o Governo é o responsável pelo menor desemprego da história deixamos de dar importância aos inúmeros problemas que as empresas enfrentam todos os dias para lidar com a situação dos seus funcionários. Com uma Legislação Trabalhista arcaica oneramos e atrapalhamos a vida de empresários e trabalhadores e assim, ao ficar no lado raso da discussão, usa-se o número e ponto: “estou certo e nada mais importa”.

É esse tipo de argumentação que tira do sério qualquer um que olhe com uma lente um pouco mais apurada a situação que vivemos. Não dá para aceitar ou acreditar que devamos continuar com o modelo que adotamos até agora. Ele não está funcionando e é preciso que se altere o rumo antes que afundemos de vez. É por isso que precisamos parar de acreditar em meias verdades e olhar a situação como ela é.

– Estamos conduzindo nossa economia de maneira errada, apadrinhando partidários e prejudicando o cenário de negócios. Há incerteza e as empresas não tem motivação para investir porque as regras mudam o tempo inteiro.
– Esquecemos os pilares que nos trouxeram até aqui e não estamos fazendo a lição de casa em relação à inflação e aos gastos públicos.
– Deixamos de avançar em questões cruciais ao crescimento, como Reforma Tributária, Fiscal e Trabalhista.
– Nossa Saúde, Educação e Segurança Pública são um lixo.

Nenhuma destas questões é fácil de resolver e justamente por isso não são atacadas como deveriam. Assim como uma estrada esburacada, o Governo faz de vez em quando uma “operação tapa buracos” para esconder o problema, mas na primeira chuva eles aparecem novamente.

É por isso que precisamos encontrar, não importa de que partido, uma liderança que se esforçe genuinamente para mudar a realidade senão vamos perder todas as pequenas conquistas que tivemos nos últimos anos (acredite, elas são muito pequenas perto do que precisamos). É preciso entender de uma vez por todas que avanços sociais permanentes surgem com o desenvolvimento econômico e não com esmolas pontuais.

E por fim, temos que parar de pensar nos partidos como se fossem nossos times de futebol. Se algum partido faz algo bom ele deve ser elogiado, mas se fizer besteira ele não pode merecer nosso perdão por ser nosso “partido preferido”. Somente nesse momento vamos passar a encarar a política como sendo um instrumento que deve se mover a nosso favor, e não o contrário.