Tomar decisões


Quando eu estava ainda nos primeiros semestres do curso de administração deparei-me com um professor de economia afirmando que “tomar decisões” é o maior desafio dos administradores e que aqueles cinco anos aos quais estávamos dispostos a nos dedicar só seriam de fato bem sucedidos se conseguíssemos colocar esta habilidade em prática.

Os anos se passaram e agora percebo que aquelas palavras, ditas numa manhã chuvosa de sexta-feira, eram de fato verdadeiras. O fato é que o cotidiano nos impõe decisões constantemente. Elas aparecem nas questões mais simples como planejar um final de semana com a família e extendem-se até intrincados desafios que nos deparamos nas empresas.

A habilidade de tomar decisões, para mim, é uma das mais importantes dentro daquelas exigidas a qualquer candidato. Isso porque você pode ser o mais talentoso gerente de marketing ou chefe de produto, mas se não souber tomar decisões acertadas cairá logo após alguns fracassos. Além disso, decisões devem ser tomadas no tempo certo sob pena de perder oportunidades. O presidente da Unilever passou a exigir que seus diretores passassem a tomar decisões de forma mais rápida quando percebeu que oportunidades estavam sendo desperdiçadas em idas e vindas, cálculos e previsões. Para ele, de nada adianta chegar a melhor solução quando já é tarde demais e por isso criou a seguinte regra: quando possuir 70% de certeza, decida!

Simples? Nem tanto assim. Primeiro porque é difícil saber quando se chegou aos 70%. Em seguida, percebe-se que neste ponto você tem pouco mais de 2/3 da informação, mas deve agir. É aí que surgem aqueles que realmente fazem acontecer. São gestores que percebem o momento de agir mesmo não tendo os dados completos atestando que a empreitada será um sucesso. São aqueles que conseguem adiantar-se aos concorrentes e lançar o produto com seis meses de antecedência, visualizando no share a importância daquela decisão que tornou o seu produto um pioneiro.

Nosso desafio, diante desta realidade, é saber a importância desta habilidade e passar a aprimorá-la a partir dos aspectos mais corriqueiros. Para que possamos tomar decisões é preciso que desenvolvamos, antes de tudo, autoconhecimento. É com ele que teremos a capacidade de avaliar se nossos passos estão sendo tomados, pelo menos, na direção certa.

Os conflitos na Faixa de Gaza


Corro o risco de cair na mesmice e atirar mais lenha na discussão que envolve o conflito entre Israel e o Hamas, mas não posso abster-me de, pelo menos, colocar na mesa alguns argumentos que as pessoas não estão percebendo na hora de eleger os seus mocinhos. A mídia internacional parece sensibilizada pelas “atrocidades” que Israel vem cometendo contra o pobre povo palestino. Denominam os ataques como desumanos, um massacre e já vi até quem proclamasse o episódio como um holocausto.

Calma aí!

Israel está ilhado em meio a países que não o consideram como um Estado. Mesmo após 60 anos, quando o país foi denominado como tal, os países vizinhos e os palestinos consideram Israel como uma nação a ser extinta. Por essa razão doutrinam seus filhos a lutar por uma causa baseada puramente em crenças religiosas. Por essa razão aceitam que um regime terrorista abrigue armas e equipamentos de guerra no subterrâneo de escolas, igrejas e hospitais.

Interessante é que os inúmeros protestos que ocorrem no mundo inteiro estampam crianças palestinas mortas pela guerra. As crianças israelenses que vivem num cotidiano de medo criado pelos foguetes lançados pelo Hamas foram completamente esquecidas, enquanto que as crianças palestinas, colocadas pelo seu próprio país no alvo do inimigo são vítimas de um fundamentalismo burro, que subjuga valores como a democracia em prol de ditaduras.

Quem é o mocinho nessa história? Israel, que busca desarmar seus inimigos? Ou o Hamas, que conseguiu chamar a atenção e surpreendentemente posar como o coitadinho da história?

Para mim toda guerra é um erro. É uma ferramenta ultrapassada, mas que infelizmente ainda é utilizada quando o diálogo não ocorre de forma correta. Não vislumbro uma saída sem perdas para esta situação sem a completa dissolução do Hamas e a consequente instauração de um regime democrático na região.

Assim como não aceitamos guerras em pelo século XXI não deveríamos aceitar regimes ditatoriais que colocam os desejos individuais em segundo plano. Acredite no que quiser, louve quem bem entender. Pode ser o Alcorão ou o novo disco do 50 Cent, desde que os limites da liberdade de cada um sejam respeitados.

O que Maquiavel pode nos ensinar


“O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, é um daqueles livros que dá gosto de anotar determinados trechos para usar como ensinamento e o fato de ele possuir mais de 500 anos não impede que as observações do autor possam ser utilizadas nos tempos atuais. Maquiavel apresenta a obra como um conjunto de observações que ele fez com o passar do tempo a respeito dos diversos reinos que formavam o que é hoje a Itália. O livro seria o seu presente ao príncipe de Florença, como prova de sua lealdade para com o governante.

O fato de eu estar nos últimos semestres de minha faculdade de administração fez com que eu levasse os ensinamentos para o lado empresarial, buscando analisar como o que estava sendo dito possuía relação com o dia-a-dia das empresas.

Daí surgiu a primeira anotação e por conseqüência a primeira interpretação:

“Ocorre que este mal, como no dizer dos médicos a propósito da tísica, é, em seu princípio, fácil de curar e difícil de identificar; no entanto, com o passar do tempo, se de início não foi nem reconhecido, nem medicado, torna-se fácil de identificar e difícil de curar.

Analisando este trecho com o cotidiano das empresas, ou até dos problemas pessoais, é possível perceber que a os problemas que se criam por não haverem sido identificados com antecedência são mais danosos do que aqueles surgidos por ventura de acontecimentos não relacionados. Um erro comum que vejo pessoas cometerem é não estudar como a concorrência está organizando-se dentro de um setor. Ocorre que, na maioria das vezes, o problema não está em um concorrente buscar uma fatia maior do mercado, visto que mesmo com uma menor participação a sua empresa ainda gozará de lucros e o seu patrimônio está garantido. No entanto, há momentos em que os concorrentes buscam mudar a estrutura da indústria, desenvolvendo variações do produto ou então remodelam-no por completo, atribuindo funções antes até impensadas serem possíveis. Este é o verdadeiro problema.

Qual o desfecho desta história? Simples. Quando você perceber que o seu produto já não atende às novas necessidades criadas pelo seu concorrente não haverá mais tempo suficiente para correr atrás do prejuízo deixado pela falta de atenção. Por conseqüência, não será apenas uma fatia do mercado que será perdida, mas talvez todos os seus clientes, que perceberão inúmeras vantagens no produto concorrente.

Desta forma, assim como previu Maquiavel, buscar entender a origem dos problemas e atacá-los de imediato trará vantagens indiscutíveis. Esta prática será um exercício que manterá a atenção no seu setor sempre em alerta, prevendo ações e imaginando como elas podem estar relacionadas às suas. Uma remodelação da indústria, conforme ilustrei, não é ruim. Ela é apenas ruim quando você não faz parte dela!

A importância dos “cenários” para a gestão


Um dos aspectos mais importantes para a gestão de qualquer tipo de empresa é prever como o seu negócio pode desenvolver-se com o passar do tempo. Alguns podem imaginar equívoco mencionar a palavra “prever”, mas é exatamente isso do que se tratam os cenários. A idéia principal não é avaliar aspectos do curto prazo que podem tornar-se realidade, mas tentar imaginar quais os caminhos que determinado setor pode alcançar baseados em comportamentos possíveis.

A matéria “cenários” ganhou importância quando se percebeu que o simples ato de “planejar” não era suficiente para visualizar como o negócio das empresas estaria num futuro um pouco mais distante, mas não é nenhuma novidade. Grandes chefes guerreiros já possuíam o hábito de imaginar quais seriam as suas ações conforme fossem os desmembramentos da guerra e a modernização disso resultou nas práticas atuais das empresas. O que se teve, no entanto, foram fases em que os cenários perderam importância frente a outros temas que no momento pareciam mais importantes. Para mim, no entanto, a ausência de cenários é decretar a sentença de morte.

O modo trágico como expus a última frase busca enfatizar a sua importância. Não estamos falando de uma nova prática de gestão que virou moda nos EUA e que agora começa a chegar ao Brasil. Estamos tratando de uma ferramenta que infelizmente poucos empresários conhecem justamente por causa dos modismos que se sobrepõe à atenção dos mesmos.

Pela importância dos cenários é preciso dedicar um momento para estudar quais os sinais que o mercado está enviando. Existe alguma lei que está sendo colocada em estudo que prevê novas práticas para resíduos industriais e que necessitará de grandes investimentos? Existe a possibilidade de um insumo importante ser afetado com as variações climáticas? Qual a relação que pode haver entre o seu produto e o amadurecimento da sociedade brasileira?

Estas questões são amplas e dizem respeito a fatores que estão fora do seu controle, mas atingem diretamente o seu negócio na estrutura. São justificativas plenamente aceitáveis para que você reserve um tempo para pensar como elas poderão ser transpostas por ações locais. Como já dizia um professor: “pensar globalmente, agir localmente”. Pode não haver razão para temer as investidas que determinada empresa vem fazendo num país qualquer. No entanto, o estudo de como se deu esse processo pode ajudar a formular medidas para que os impactos não sejam os mesmos quando o alvo for você!

Para que serve uma enciclopédia?


Presumo que possuir enciclopédias, antigamente, significava responsabilidade com o saber. A internet, naquela época, não era tão difundida quanto é atualmente e a idéia de possuir “conteúdo universal” era interessante. Lembro que minha mãe comprou nossa enciclopédia por causa disso: ela imaginava que precisaríamos dela nos trabalhos que viríamos a fazer para a escola.

No momento que estaríamos prontos para utilizar a tal enciclopédia, no entanto, surgiu a internet e sua infinidade de conteúdo a um “ctrl C ctrl V”. Bem ou mal, hoje ela serve como apoio para o computador e agora, com a nova invenção do meu irmão, como apoio para o ventilador também. Essa forma de desrespeito com os pesquisadores que levaram anos para organizar todo o conteúdo incomoda-me. Por várias vezes pensei em doar para alguma biblioteca ou escola pública, mas novamente vem à cabeça a imagem de criancinhas de 7 anos de idade recortando as figuras para fazer seus cartazes…

A dura realidade é que todo o conhecimento que ela, enciclopédia, deve abrigar nos seus vinte volumes não deve ultrapassar uma mínima parte de toda a informação que temos disponível hoje na internet. Em poucos anos ultrapassamos todo o conhecimento criado durante séculos, reinventando o saber a ponto de sentirmo-nos sufocados com a quantidade de novas pesquisas a nossa disposição a um simples clique.

Para quem algum dia ganhou dinheiro vendendo enciclopédias deve ser como um filme de terror ver uma foto como essa. Para uma criança de 10 anos, no entanto, o que pode chamar a atenção é a velhice do ventilador, que poderia muito bem ser trocado por um ar-condicionado.

A importância da credibilidade


Normalmente as pessoas procuram justificar o sucesso de algum projeto pela qualidade pela qual ele foi elaborado. Com base nesta prerrogativa, as tentativas frustradas de alguns empreendedores são julgadas de uma maneira equivocada, confundindo o insucesso com incompetência ou falta de determinação.

No entanto, para que um projeto possa ser desenvolvido e gerar os frutos desejados é preciso muito mais do que apenas competência por parte dos seus organizadores. A credibilidade, por conseqüência, passa a ser um dos elementos fundamentais para que o sucesso seja alcançado porque é uma variável sob avaliação externa. Os empreendedores podem criar ferramentas que instiguem a credibilidade, mas somente a aceitação do público e dos envolvidos indiretamente é que vai determinar se o projeto vai seguir adiante ou não.

A idéia de discutir sobre o tema “credibilidade” partiu de algumas observações que eu tenho feito de um período para cá. Nesse tempo percebi que projetos, mesmo sem fundamentos concretos, podem ser incrivelmente impulsionados com a aceitação e consequente transferência de credibilidade por parte das pessoas.

O Esporte Clube Lajeadense reformulou sua presidência e agora planeja o seu centenário, que acontecerá em 2011. Até aí nenhuma novidade. No entanto, desta vez não é apenas uma nova figura na presidência e um conselho deliberativo imaginando o time ideal para quem sabe beliscar o título. Estamos vivenciando um novo momento no Florestal, no qual a sociedade vê nas ações de Giovanela um novo futuro para um clube que teve a sua imagem desgastada com o passar dos anos, vítima de administrações egoístas e sem a visão do todo. Imaginavam que o simples fato de abrir os portões e contratar meia dúzia de atletas era suficiente para fazer futebol, esquecendo-se de prestar contas à sociedade, que desejava o sucesso do clube tanto quanto eles.

Nesta nova fase, na qual Nilson e Everton se engajaram na busca por um Lajeadense novamente imponente dentro do estado do Rio Grande do Sul é possível perceber que as bases estão sólidas e que a credibilidade, fruto da confiança que a sociedade deposita no trabalho de todos que estão à frente deste audacioso projeto está em alta. Este fator não irá, por si só, trazer o sucesso que o Clube merece. No entanto, será fundamental para que o trabalho das pessoas que aceitaram o desafio de torná-lo real seja levado adiante. O futebol é resultado de um esforço coletivo em torno de uma causa comum. Esta lição os envolvidos no projeto já entenderam. A sociedade, a partir de agora, será o combustível para que essa mudança torne-se realmente realidade.

A Brigada Militar e as férias


A notícia de que a Brigada Militar da minha cidade está realizando uma operação de verão ressuscitou uma triste lembrança. Há um ano eu perdi a minha carteira na frente da minha casa. Fui perceber o ocorrido apenas na manhã seguinte, quando um rapaz entrou em contato comigo perguntando se eu estava interessado na carteira e se ele poderia ganhar “algum” de recompensa. Naquela altura pensei até em recompensar o rapaz por ter encontrado meus documentos e toda a parafernalha que se tem dentro de uma carteira.

Mesmo assim, tratei de ligar para a Brigada Militar para me informar sobre como eu deveria proceder, tendo em vista que ele me pediu dinheiro pela carteira, fato que caracterizou “extorsão”! Resumindo a história: algumas horas depois o delinqüente me ligou e disse que iria queimar a minha carteira com tudo que tinha dentro porque eu havia ligado para a polícia.

“Espera aí! Como você sabe que eu entrei em contato com a Brigada?”, perguntei eu.

Ele me respondeu que tem um amigo lá dentro e que ele teria ligado para essa mais delinqüente ainda pessoa para saber se alguém teria dado queixa do sumiço de uma carteira. “Eu trabalho como segurança meu velho, não posso ter queixa na polícia!”, retrucou ele na última conversa que tivemos. A esta altura eu já havia bloqueado cartões e encaminhado boletim de ocorrência, mas o trabalho e o custo para refazer documentos pesaram. Fora isso, ficou a indignação de saber que bandidos como esse estão aí fora cuidando de residências e empresas. Essas mesmas pessoas serão aquelas que voltarão com uma máscara no rosto e uma arma na mão.

Depois de contada esta história eu pergunto: você acha que eu vou ligar para a Brigada Militar e avisar que eu estou saindo de férias? Por incrível que pareça, quanto mais longe eu estiver dessa gente, MELHOR!