Não acredite 100% em tudo o que dizem sobre a Geração Y


No último final de semana uma grande quantidade de amigos começou a compartilhar um texto do escritor Icaro de Carvalho que questionava e criticava as atitudes da chamada Geração Y. O texto “O que diabos aconteceu com a Geração Y” instantaneamente virou “hit” nas redes, questionando o padrão de vida que os jovens entre 25 e 35 anos (a chamada Geração Y) estão vivendo.

É claro que algumas verdades foram ditas, mas o texto está muito longe de ser um mantra que a partir de agora precisa ser seguido.

O que foi dito até pode ser verdade para algumas pessoas, mas não para toda a Geração Y. Talvez ele escreveu pensando nas mazelas que o pessoal das agências de publicidade passa com clientes que exigem de tudo “para ontem”, mas generalizar essa situação para toda uma Geração é brincar com as palavras.

Y

Vejo muitas pessoas que ao escrever levam as ideias ao extremo como se não existisse um meio termo com o único objetivo de tornar o texto impactante. Desta forma cria-se um “certo x errado”, “a favor x contra” interminável porque ambos os lados tem um pouco de razão, mas nenhum deles está completamente certo.

Ao citar o exemplo dos nossos pais, que aos 30 anos já possuíam carro, casa própria e filhos criados ele não leva em consideração que aquele era “o plano” do pessoal daquela época, mas para os jovens de hoje pode não ser. Digo “pode não ser” porque conheço muitas pessoas que sonham com esse padrão de vida, mas tantos outros que entendem que se especializar na profissão, viajar ou ficar solteiro por um pouco mais de tempo é uma alternativa plausível que eles possuem e que ninguém tem o direito de julgá-los por pensarem desse jeito.

O autor comenta: “Uma geração sem filhos, que foge das responsabilidades”.

Quais responsabilidades? Ter casa própria? Casar? Ter filhos?

Na visão dele talvez todas as pessoas sejam obrigadas a isso, mas finalmente surgiu uma geração que não concorde cegamente com tudo isso. Ver uma mulher “ficar pra titia” há 30 anos era um horror, sinônimo de fracasso na vida. Hoje, se essa for a decisão dela, não gera nenhum espanto pra mim.

Meus pais vieram do interior e trabalhavam de uma maneira absurda. Meu pai carregando sacos de 50kg de soja e minha mãe numa padaria a partir das 5:00 da manhã. Aí um escritor vem me dizer que viver desta maneira é melhor que isso ou aquilo? Desculpe, mas discordo.

Nesse momento você deve estar pensando: “Viu como ele está certo! O fato de você negar o que ele escreveu comprova ainda mais o texto”. Sim, claro! #sqn

Ao ver os comentários das pessoas sobre o texto um me chamou a atenção: era de uma Bancária, 49 anos, dizendo que “tinha pena” dos que pertenciam à Geração Y e ainda se achavam certos ao viverem desta forma. Eu não respondi na hora, mas a vontade que eu tinha era de dizer: “Moça”, que trabalha num emprego público das 10 às 16, de segunda à sexta, eu é que tenho pena de ti!

Tenho pena porque você comenta uma coisa dessas às 23:30 de um sábado à noite. Não tem nada mais importante para fazer? Pensei que você, que não é da Geração Y, estaria vivendo a vida de uma maneira incrível.

Enfim…

Eu trabalhava em uma multinacional e sentia um prazer difícil de explicar quando eu cumpria minhas metas, não importava a hora ou o dia que fosse. Em algumas ocasiões eu era o primeiro a chegar e o último a sair. Ligava e desligava as luzes, mas em nenhum momento eu não concordava com aquilo.

Levo comigo o seguinte pensamento: As pessoas precisam ser fiéis a si mesmas. Em nenhum momento você deve “se maltratar”, fazendo algo que você não acredita ou não concorda. Se você não quer responder um e-mail à noite não responda. O cliente mandou uma mensagem por Whatsapp e você está jantando, então deixe para responder amanhã.

No entanto, ninguém tem o direito de me dizer que se eu decidir responder eu estarei errado. Ou alguém acha que tem?

Vivemos em novos tempos, onde estamos experimentando o que a tecnologia tem a nos oferecer e ainda não conseguimos definir 100% como vamos agir diante dela. Nossos pais não respondiam e-mail à noite simplesmente porque isso não existia. No entanto, vi minha mãe centenas de vezes trazendo provas de alunos para corrigir à noite. Ela nao respondia e-mails, mas sim, ela trabalhava além do horário normal.

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Reclamação X Insatisfação


É incrível como o tipo de reação das pessoas diante das dificuldades determina “como” e “quanto tempo” será necessário para transpô-las. Há alguns dias estava conversando com um amigo que se dizia profundamente chateado com algumas situações que estavam acontecendo e que, por esse motivo, “ele se achava no direito de reclamar”.

Com toda a delicadeza, como se pisasse em ovos, fui obrigado a discordar dos argumentos que ele apresentava e aos poucos, percebendo que ele estava me dando atenção, tentei mostrar os problemas que ele enfrentava sob uma outra perspectiva…

Começou mais ou menos assim:

“Fulano, eu até acho que tu tenha razão em estar INSATISFEITO com a situação que está se apresentando, mas se você ficar só RECLAMANDO não vai chegar a lugar nenhum!”.

O papo continuou e fui expondo a maneira como enxergava esses acontecimentos, tentando passar a mensagem de que não bastava ele ficar chateado com a situação e espalhar aos 4 ventos que não concordava com a maneira como as coisas estavam sendo feitas.

Bem pelo contrário.

Não somos obrigados a aceitar ou concordar com tudo que nos passam, mas quando isso acontece não basta sair reclamando. O que precisa ser feito é desenvolver o sentimento de Insatisfação.

Insatisfação, como falei pra ele, é uma combinação de “reclamação” com “atitude”. É perceber que algum ponto não está condizente e trazer argumentos para tentar corrigi-lo, mostrando com fatos e dados que aquela maneira de pensar pode estar equivocada.

O bom nesse processo é que, em alguns casos, você vai perceber que aquele bicho de sete cabeças sobre o qual você estava prestes a começar a reclamar nem é tão feio assim e, em outras oportunidades, vai conseguir negociar com o seu superior o que está em desacordo.

Por isso, quando acontecer algo desse tipo tente pensar com essa lógica e depois me diga como foi… isso aqui pode ser uma tremenda bobagem e por isso quero saber se posso deixar postado ou devo deletar. 🙂

——–

ps: frase de um funcionário: “Falar do difícil é tão fácil, que o difícil fica parecendo ridículo”. Acho que se aplica a esse post.

O melhor Fórum para a Discussão


É incrível como a emoção pode alternar quem era vilão para mocinho (e vice versa). Nos últimos dias tenho presenciado situações nas quais, guiadas puramente pelas emoções, as pessoas perdem os argumentos que até então lhes favoreciam e passam “para o outro lado” a razão da discussão.

Ou seja, de vítimas de uma situação mal interpretada elas acabam se enchendo de razão e partindo para o ataque, quando na verdade deveriam retroceder e conduzir as coisas de outra forma, deixando claro como as coisas são e como elas deveriam ser.

Acredito que este tipo de atitude é uma daquelas que mais prejudica um profissional. Nada pode ser discutido no calor das emoções porque os argumentos que lhe favorecem acabam se tornando irrelevantes perto do que representam as atitudes daquele que se julga injustiçado. Desta forma, por mais que possa ter razão a pessoa não consegue dar credibilidade aos argumentos e acaba perdendo ótimas oportunidades para sair ainda mais forte de um momento ruim.

É por isso que eu digo: situações difíceis devem ser discutidas com calma, bons argumentos e principalmente em particular com o líder da equipe.

Não adianta fazer um “show” diante de todos os colegas, demonstrando publicamente a sua indignação com o momento. Esse tipo de atitude vai jogar todos contra você e, no final das contas, só haverá um prejudicado.

A verdade, que poderia ter sido exposta de uma forma clara e com bons argumentos, permanecerá escondida por uma triste decisão entre qual tipo de discussão deveria ter sido escolhido.

essa maldita greve dos bancos


Eu queria ver o que aconteceria se eu resolvesse fazer uma greve… Simplesmente eu não vou mais, por tempo indeterminado, realizar as minhas tarefas.

Um dia! Acho que seria esse o tempo que me dariam, fingindo que tivessem me dado uma folga. Depois: “tchau pra ti!”

Errado? Injusto? Que nada…

Eu tenho um emprego e sou remunerado para isso. Se eu não estou gostando das funções ou não estou recebendo tanto quanto eu penso que mereço sou eu quem deve ir embora. Afinal, se eu sou “tão capacitado assim” provavelmente vai ter uma fila de empresas querendo me contratar… é assim que funciona, sempre foi.

Aí vem os bancos, TODOS OS ANOS, brigar por mais aumento… São tão fracos em negociação que precisam apelar para a Greve para poder ganhar alguma coisa. O Governo, incompetente por natureza, passa a mão na cabeça, depois de mais de um mês de paralisação, absolvendo as horas não trabalhadas e dando a “gorjeta” pro pessoal parar de incomodar.

Chega disso! Tem uma crise lá fora que precisa ser vencida e os bancos ainda olham para os seus umbigos querendo ser o centro das atenções. Nessa história toda é facil dividir os grupos que ganham e que perdem:

  • Os bancários ganham… uma gorjeta para parar de incomodar e uns 30 dias de férias remuneradas;
  • O Governo empata, porque ultimamente aumentar o gasto público não tem sido um grande problema;
  • A população (EU) perde, porque nem um cheque eu posso depositar num banco que, a priori, quase não precisa mais de gente para funcionar…

Chega dessa palhaçada e vamos voltar ao trabalho. Eu vou embora também porque preciso estudar para um dia não virar bancário…

o e-mail do Mr. Saliu


Hoje à tarde eu recebi um e-mail que só seria muito engraçado se não existissem pessoas que de fato acreditam em contos como esse. O tal do Mr Saliu, gerente de um banco norte-americando, avisou-me que no banco dele existe uma conta ativa de um cliente que faleceu em um acidente aéreo. O valor, mais de 9 milhões de dólares, pode ser depositado em sua conta caso você “reclame” o dinheiro ao banco.

Em resumo, basta você enviar os seguintes dados ao Mr Saliu que ele vai providenciar tudo para você:

  • Nº do Passaporte ou Carteira de Identidade
  • Idade
  • Telefone Celelar
  • País
  • Profissão

Só faltou perguntar o nome do cachorro pra colocar no lembrete de senha dos inúmeros cadastros que vão criar no seu nome…

Provavelmente quem está lendo esse post não cai nesse tipo de golpe, mas espero que pelo menos seja capaz de falar para pessoas que possam ser ludibriadas por esse tipo de golpe…

Abaixo o original do Mr. Saliu

I need your reply.
Dear Friend,
I am  Mr Saliu Ali. from Burkina Faso . I want to seek your assistance after my discovery during auditing in my bank as am the manager of Bill and Exchange at the Foreign Remittance Department of BANK OF AFRICA,(B.O.A.) In my department I discovered an abandoned sum of USD$9.500,000.00 million US dollars in an account that belongs to one of our foreign customers who died along with his entire family in plane Crash,

Since his death, we have been expecting his next of Kin to come over and claim his money because we can’t release it unless somebody applies for it as his next of Kin, please I want you to stand for me as his next of kin so that the bank will transfer the fund into your account then I will come over to meet you in your country for my own share, do not view this as been illegal but an opportunity as await your urgent response to enable me give you more details. please reply with those information’s below so that I can know you very well before I go ahead with you, If you are not interested please delete it.

Your passport or id card.
Your age.
Your private telephone number.
Your country.
Your profession.

Remain bless,
Mr Saliu Ali.

No ônibus em Porto Alegre


por Rafael Zanatta

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

O interessante em circular pela cidade de Porto Alegre de ônibus é que a realidade se apresenta de uma maneira bem mais realista. No carro a gente não sofre com algum indivíduo “pedindo um real”, mas viaja tranqüilo com o som e o ar-condicionado ligado. (não vou entrar no mérito que o trânsito em determinadas horas é péssimo)

Hoje, ao invés de sentar no ônibus e ler minha revista, resolvi prestar um pouco mais de atenção à vida que se criou às margens do Dilúvio. Antes mesmo de embarcar, já se reparava nos mendigos que dormiam enquanto que um, na tentativa de conseguir umas moedas, se aproximou. Ninguém deu nada.

Quando entrei no ônibus sentei próximo à janela e admirei o famoso arroio que atravessa a cidade e termina no Lago Guaíba. Hoje, ele é praticamente um esgoto a céu aberto, não fazendo a mínima diferença se está coberto ou não. Diante de toda a “vida” que se criou às suas margens vemos mendigos de todas as idades, cães abandonados, lixo e algumas garças que devem conseguir algum tipo de alimento por ali.

Eis então que, no outro lado da rua, passa o “Ônibus Turismo de Porto Alegre”. Imagine você, responsável pelo turismo da cidade, vendo os turistas tirando fotografias da paisagem que acabei de descrever. É claro que o ônibus não tem alternativa e precisa passar por ali, mas é no mínimo curioso o fato de que os turistas não tiram fotos apenas dos pontos turísticos que definimos, mas do que os chama a atenção.

Nesse aspecto, identificar que um outro “tipo de sociedade” se criou às margens de um arroio é sim um bom motivo para uma fotografia (não necessariamente para o secretário de turismo).

Comunicar


por Rafael Zanatta

Antigamente escreviam-se cartas quando se deseja enviar notícias para as pessoas. Daí veio o e-mail e acabou com a velha tradição, transformando em bits o que antes era expresso à mão.

Quando o e-mail ficou chato e as pessoas decidiram que era difícil demais escrever alguma coisa diretamente para alguém veio o Orkut, que fazia basicamente a mesma coisa. No entanto, a nova modalidade permitiu que a mensagem “pessoal” fosse vista, na verdade, por todo mundo. Essa característica permitiu que uma mensagem virasse fofoca, porque todo mundo no instante seguinte estava sabendo que a Luluzinha comprou um cachorro novo.

É claro que isso não duraria muito tempo e as pessoas, quando perceberam que havia fofoca demais, resolveram utilizar os testimonial’s. A partir de então existem dois tipos de mensagens: aquelas que são “só pra você” e aquelas que são pra você e “podem” ser para os outros também se eles quiserem.

Aí veio o Twitter. Agora sim nenhuma mensagem é pra ninguém. As pessoas seguem umas às outras, sabem o que elas estão fazendo, mas no fundo nem sabem quem elas são. Esse tipo de coisa só poderia acontecer num ambiente de encasulamento como o que estamos vivendo. O que será que vem depois?