Endividamento dos Brasileiros chega a 44,52% da renda


As notícias sobre o “endividamento dos brasileiros” já se tornaram normais nos jornais econômicos e com certeza é um tópico importante a ser analisado continuamente pelos Governos. A verdade é que o Brasileiro nunca esteve tão endividado quanto agora, embora isso não seja necessariamente ruim. (veja matéria da Exame).

O acesso ao crédito, que até tempos atrás era escasso e muito caro, transformou nossa sociedade nos últimos dez anos e propiciou à chamada “nova classe média” o sonho de realizar desejos que há muito vinham sendo reprimidos.

No entanto, um fator deve ser analisado com muito cuidado. Embora os economistas costumem comparar o nosso nível de endividamento com outros países desenvolvidos e constatar que ainda temos espaço para crescer, é muito perigoso o TIPO DE ENDIVIDAMENTO que os brasileiros estão se submetendo.

Estamos comprometendo grande parte da nossa renda com “contas ruins”, ou seja, prestações que possuem juros muito altos, como Cheque Especial, Cartão de Crédito e as famosas “casas bahia”. Para que isso não seja realmente um problema o desemprego precisa ficar no patamar que está e as pessoas precisam diminuir essa exposição às contas ruins, optando por poupar e comprar à vista ou então acessar linhas de crédito mais competitivas.

Indivíduos, Empresas e Governos precisam ficar de olho nesse indicador. Muito da nossa desaceleração econômica é fruto da falta de fôlego das famílias em manter um ritmo de consumo aquecido como 2 ou 3 anos atrás.

O que faltou para a SELIC ficar em 7%?


Ontem, dia 10/07/2013, com uma decisão unânime o Comitê do Banco Central decidiu aumentar em 0,5% a SELIC, taxa básica de juros da economia brasileira. Foi uma decisão que não surpreendeu ninguém, tendo em vista que faz parte de uma série de aumentos que vem sendo promovidos devido à disparada da inflação que vem ocorrendo desde o início do ano. A ideia desta medida é conter a demanda, dificultando financiamentos e assim diminuir o consumo para que os preços possam estabilizar (ou até mesmo baixar).

Imagem

O 3o aumento, nas últimas 3 reuniões, mostra que o Banco Central ainda tem um pouco de preocupação com os rumos que a Economia vem tomando, ao contrário do Governo que abandonou completamente o Tripé que sustentou nossa economia nos últimos anos (Câmbio Flutuante, Metas de Inflação e Responsabilidade Fiscal – Metas de Superávit). Para tristeza do Governo a política inconsequente de manter os juros baixos até a eleição não será possível e felizmente o Banco Central resolveu intervir para não acontecer o pior.

O fato é o seguinte: NUNCA estivemos habilitados a manter uma taxa Selic em torno de 7%. Quem defende isso é líder sindical que não sabe fazer conta!

Política Monetária não pode ser feita na base do discurso. Com ela é preciso uma Agenda de Investimentos que possam suprir os gargalos que naturalmente aparecem quando existe uma alta no consumo promovida pela baixa dos juros. Ou seja, baixar ou aumentar os juros é uma manobra artificial, que com um “canetasso” pode ser feita. No entanto, para que uma política de juros baixos possa ser sustentada existe uma imensa tarefa no Lado Real da Economia, que consiste no investimento em estradas, ferrovias, portos desburocratizados, produtividade da mão de obra e leis tributárias e trabalhistas condizentes com o atual momento econômico.

É exatamente por isso que, menos de 10 meses após o Brasil chegar à inédita taxa Selic de 7,25%, o COPOM precisa dar um passo atrás e aumentar os juros. Com o aumento do consumo e os históricos e visíveis gargalos que o nosso país enfrenta em infraestrutura era questão de tempo que a Inflação voltasse a nos visitar.

Governantes, prestem atenção! A Inflação não é uma “marolinha” e precisa ser combatida com todas as forças para que não se transforme em um tsunami e arrase a nossa economia como já fez tantas vezes. Comecem a trabalhar e façam o que precisa ser feito para colocar o Brasil novamente nos trilhos.

Precisamos urgentemente de uma Reforma Fiscal, Tributária e Trabalhista para que os custos das empresas diminuam e seja possível investir. País que não investe é país que não cresce. Chega de PIBinhos. O Brasil pode ser muito maior do que é!