Um mundo de Alternativas

A quantidade de alternativas que temos antes de tomar uma decisão não nos deixa mais feliz.
 
Essa foi a conclusão de um autor que se apresentou no TED (não lembro mais o link, quando conseguir coloco aqui) ao tentar descrever a realidade que estamos enfrentando. O que antes poderia ser uma decisão simples, como comprar uma calça em uma loja, hoje se tornou um martírio. Tudo isso porque as decisões tornaram-se mais difíceis de serem tomadas diante da infinidade de opções que se apresentam para qualquer item.
 
Para elucidar essa situação faça um teste simples e procure sobre qualquer produto na internet, desde uma casinha para cachorro até uma tv para a sua sala. Em nenhum dos casos você conseguirá tomar uma decisão rápida e objetiva em uma pequena fração de tempo. O motivo é simples: a quantidade de opções dificulta o seu poder de escolha.
 
Essa realidade é ruim? Pode até não ser ruim, mas eu não me arriscaria a dizer que é plenamente boa.
 
No momento que as pessoas tem a oportunidade de escolher algum produto com o qual elas se identificam mais elas deveriam ficar mais felizes. Afinal, por que as equipes de marketing saem às ruas todos os dias no intuito de “identificar tendências”?
 
A verdade, porém, é bem mais dura do que imaginamos.
 
Primeiro porque na maioria das vezes não fazemos escolhas baseados no que queremos, mas sim na imagem que gostaríamos de repassar para os outros. Só isso já bastaria para uma completa confusão mental no momento de fazer as compras, tendo em vista que você até gostaria de comprar aquela calça simples, mas tem receio do que as outras pessoas podem pensar e revisa a sua decisão uma, duas, três vezes.
 
Segundo porque mesmo que você fique uma hora em uma loja provando uma infinidade de calças diferentes, ao final, você não estará satisfeito com a sua decisão. E isso não se deve ao fato de a calça ser pior do que alguma outra que você deixou na loja, mas sim porque ao tomar a decisão de comprar uma calça específica, automaticamente você escolheu não comprar todas as outras. Ou seja, o benefício da compra não é suficiente para compensar o desejo que permaneceu pelas outras opções.
 
E por fim, existe uma terceira situação. No momento que você não possui opções, a causa de uma decisão mal feita é do fornecedor, da loja ou qualquer outro responsável que não foi capaz de projetar o produto que atenderia às suas expectativas. No entanto, quando as alternativas são quase infinitas o único culpado por um produto não ser bom o suficiente é o indivíduo em si. Ou seja, você não foi capaz de escolher o que seria melhor para você.
 
Eis uma conclusão interessante: você não é o responsável pela quantidade de alternativas existentes, mas é culpado pela infelicidade de ter realizado a escolha errada. A empresa não é mais a culpada se você não gostou do produto. Você é o culpado por ter escolhido um produto que você não gostou. Isso é tão visível que quando você reclama de um produto as pessoas não simpatizam com você, mas pelo contrário, acabam recriminando por ter escolhido produto X em detrimento do produto Y (que é muito melhor!).
 
Não há muito o que dizer. O fato é que precisamos encarar essa realidade e estar ciente que ela nos influencia o tempo inteiro. Não há como eliminar as alternativas e viver em um aquário, onde as decisões são limitadas, mas podemos minimizar as consequências de más decisões entendendo o que realmente nos satifaz.
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