O risco do “Crédito de Bandeja”

Não deve ser novidade para nenhum brasileiro (ou não deveria ser) que o nosso famoso crescimento está sendo alavancado por vultuosas somas de crédito tomado tanto por órgãos públicos quanto por grandes grupos privados. Esses empréstimos financiam grandes obras estatais (estradas, barragens e portos) e o aumento da capacidade produtiva das empresas (novas fábricas, instalações modernas, etc).

No entanto, uma fatia muito grande dos empréstimos tomados em 2010 não foi feito nem pelos governos nem por empresas, mas sim pelos milhões de consumidores que descobriram que poderiam ter tudo (ou quase tudo) que quisessem desde que apresentassem sua carteira de trabalho e um comprovante de residência.

Até aí tudo bem para quem vive de comissão. As propagandas escreviam em letras grandes e garrafais as inúmeras possibilidades de consumo que o acesso ao crédito oferecia, mas se esqueciam de informar ao cliente que em determinado momento a conta de todo esse desejo reprimido chegaria.

Resultado: a conta chegou.

As Casas Bahia e o Cartão de Crédito trouxeram a triste notícia que a geladeira nova e as compras no shopping teriam que ser pagas e aquele “jurinho” que parecia tão pequeno dobrou o preço de tudo que as pessoas compraram. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, também quer a sua parte e afirma que avisou que o prazo era de 30 anos para pagar, mas que a primeira parecela já começa a contar a partir de hoje.

Ou seja, brasileiro que é brasileiro gastou o que não tinha e agora, como mostrou a Exame (ver aqui), precisa pagar uma quantidade de contas que ele não somou lá no início. E aí a bola de neve começou a rolar…

Como bem mostrou a reportagem os efeitos dessa situação já começaram a aparecer no percentual de inadimplência e no aumento dos juros cobrados pelas financeiras. Minha principal preocupação, no entanto, é que o famoso “novo mercado consumidor pujante da economia brasileira” seja apenas um fogo de palha, assim como uma criança que ganha 10 reais e gasta tudo ao comprar balas na padaria da esquina. Ou seja, os brasileiros ainda não compraram tudo que precisam para de fato viver melhor, mas já estão tendo o crédito cortado porque não souberam utilizar ele corretamente.

Eta vidinha…

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