Dilemas do consumo

Para aqueles que me conhecem fica fácil saber sobre o meu gosto por economia, desde as lições mais simples até conceitos um pouco mais elaborados, aos quais tive o primeiro contato na cadeira de Macroeconomia do semestre passado. Naquela época, quando a crise dava mostras do seu potencial, tive a oportunidade de ter aulas muito produtivas, nas quais os exemplos práticos do dia-a-dia podiam ser confrontados no calor do momento.

Eis que ontem, voltando da faculdade, passei a questionar sobre alguns pontos da crise e em poucos argumentos concluí que, se o consumo for afetado de forma contundente (como vem sendo), será mais difícil ainda reverter o caos que o mundo se tornou. Isso porque, numa interpretação muito simples (viram, eu falei muito simples!), uma desaceleração do consumo pode fazer com que todos os esforços dos governos em aumentar investimentos sejam nulos, tendo em vista que não se tem motivo nenhum para investir se não existe demanda.

Eu já vejo meu amigo economista olhando para o chão procurando por pedras para atirar em mim, mas o ponto que eu busco não é a velha discussão sobre “ovo ou galinha”. Mantendo-se o nível de investimentos podemos manter ou até mesmo elevar o consumo? Sim, claro que podemos. No entanto, não temos a capacidade de mandar no inconsciente das pessoas. É muito complicado chegar para um cidadão e dizer: “Compre, gaste!”.

O ponto mais interessante é que as pessoas podem não gastar o dinheiro que receberem. Esse é o pesadelo das pessoas que hoje quebram a cabeça formulando um plano econômico. Em teoria, os gastos do Governo injetarão dinheiro na economia e farão a crise retroceder. No entanto, é preciso que o dinheiro circule para que isso realmente aconteça e, caso as pessoas por apreensão resolverem economizar esse dinheiro os resultados das ações dos Governos serão apenas déficits orçamentários e uma dívida ainda maior para ser paga.

Reflexões como essas devem ser feitas não para trazer ainda mais medo para as pessoas, muito pelo contrário. Essas discussões devem ser o argumento para convencer os indivíduos que eles são parte da solução dessa bagunça que virou a economia mundial. A reforma da casa não precisa ser adiada nem o sonho do notebook. Temos que ter a cabeça fria e avaliar que tudo isso é passageiro e a velocidade com que vai passar depende inteiramente de nós.

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Um comentário sobre “Dilemas do consumo

  1. Ótima análise Zanatta. E tem outro ponto que eu vou levantar. Quando surgem tempos de crise, um dos primeiros cortes por parte de algumas empresas é no segmento publicitário. Quando na verdade, no meu humilde ponto de vista, deveriam continuar investindo nisso, pra poder instigar o consumidor a não parar de comprar.

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