As lições que o Brasil não aprendeu


Notícias nos telejornais informam que a crise não afetará o crescimento do Brasil em 2008 e que o vigor da economia mostrou-se mais forte do que qualquer analista poderia prever. O engraçado é que este vigor teve um grande impulso pelos principais motivos que levaram o mundo a entrar nesta crise. A grande oferta de crédito facilitou os investimentos no Brasil e a onda das IPO’s só foi possível justamente porque os investidores internacionais aterrissavam vorazes pela magia do dinheiro fácil.

Com pesar, no entanto, informo que assim como subimos, também vamos descer. Ao contrário do que afirmam os governos, o Brasil não vive uma situação tão favorável como eles dizem. É o dever deles fomentar a economia, sei disso, mas a minha preocupação é que eles se isentam da culpa. O vigor do nosso mercado consumidor não será suficiente para suplantar todas as tarefas de casa que deixamos de fazer enquanto a situação era favorável.

A “Carta ao Leitor” da última Revista Exame (03/12/2008) deixou claro que medidas que deveriam ser tomadas há vários anos terão a partir de agora a suas mais graves conseqüências porque, na euforia que vivíamos a algum tempo atrás, imaginamos que elas não seriam necessárias. Segundo Claudia Vassalo nossos problemas com a burocracia, o sistema tributário e leis trabalhistas, sem contar a infra-estrutura caótica com a qual precisamos conviver tiveram uma surpreendente época para serem superados e nosso Governo, feliz com os números, deixou de avaliar com profundidade nossas deficiências e deixou-se levar…

Acredito que só o amadurecimento da nossa população é que fará nosso país crescer. Isso porque os governantes, por melhor intencionados que sejam, só fazem aquilo que angariam votos. Nossas leis trabalhistas, por PIOR que sejam, iludem os trabalhadores e fazem com que os governantes não tenham coragem de nelas mexer. Infelizmente (no nosso caso) os governantes de um país são o reflexo da sua população. Antes que ela mude, teremos que amargar esse crescimento lento e sem fundamentos com os quais já estamos quase acostumados a viver.

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