Os dilemas de fomentar o crescimento

O último post (A crise é plana também!) gerou um comentário que, a princípio, pareceu-me irônico. Imaginar que os países são “bonzinhos” e que juntos buscarão a solução para que todos cresçam de mãos dadas é um tanto equivocada e eu não seria ingênuo a ponto de acreditar nisso. Pensando sobre o assunto lembrei de uma das aulas de macroeconomia que pode explicar a necessidade de agir de forma conjunta.

Se buscarmos na macroeconomia a explicação para que um país demore a tomar medidas contra a crise fica fácil entender. O fato é que a idéia de “crescer juntos” é a mais adequada, mas a mais barata é com certeza ACOMPANHAR o crescimento do outro. É melhor exemplificar:

Vamos isolar dois países, A e B, e imaginar que os dois estejam em crise. A crise, seja por qualquer natureza, fará a demanda diminuir e consequentemente teremos diminuição da produção e aumento do desemprego. O país A exporta para o país B. O país B exporta para o país A. Sendo assim, a diminuição da demanda em ambos países afeta a produção dos dois, pelo fato de estarem interligados (globalização????). Bem, o que isso tudo tem a ver com a crise?

O histórico das crises que o mundo já viveu mostra que sempre o crescimento voltou a existir. Voltando ao nosso exemplo, se o país A resolver enfrentar a crise tomando medidas que ativem a liquidez, fomentem a produção e o emprego e o país B NÃO TOMAR estas medidas quem será o maior BENEFICIADO no curto prazo é o país B. Estranho? Nem tanto…

Tomar medidas contra a crise são, na maioria das vezes, caras. As ações do governo A repercutirão pelos dois países, tendo em vista que os mercados são interligados e o crescimento de A fará com que as exportações de B aumentem novamente, iniciando um ciclo de crescimento que pode tirar ambos da crise.

Sendo assim, embora apenas o governo A tenha investido para sair da crise, ambos os governos foram beneficiados. A questão que fica é a seguinte: que país não gostaria de sair de uma crise sem gastar nada? TODOS!!! O fato é que, esperando que o outro país tome uma providência, normalmente deixa-se escapar o momento oportuno para tomar uma medida capaz de abafar a crise, tornando-a ainda maior!

Na atual crise que estamos vivendo não podemos trabalhar com a hipótese de apenas dois países. É o MUNDO INTEIRO que está interligado esperando que as medidas tomadas por um passem a surtir efeito em outro. No entanto, as proporções deste desafio não serão transpostas por medidas isoladas. Os países não podem se dar ao luxo de esperar que os pacotes dos países desenvolvidos tragam benefícios grátis aos subdesenvolvidos. EUA, União Européia e Japão, foram os principais afetados e tomaram a frente na luta contra a crise, mas Brasil, China, Índia e tantos outros devem ter em mente que está nas suas mãos a continuidade do trabalho para que os estragos possam ser amenizados e a curva de crescimento possa ser novamente positiva.

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4 comentários sobre “Os dilemas de fomentar o crescimento

  1. Achei bastante interessante teu raciocínio, embora não concorde com ele totalmente.

    As medidas contra crises geralmente se dão por meio de proteção do mercado interno (isto é, como tu disse, medidas que ativem a liquidez, fomentem a produção e o emprego). Difícil crer que o governo possa fazer isso sem criar barreiras à entrada de produtos do país B, no teu hipotético exemplo. Caso o governo de B não tome medidas de resposta àquelas de A, este certamente se sairá melhor (“beneficiado”) que aquele (e, na minha opinião, mesmo que estejamos falando de curto prazo).

    Mas acho que entendi o teu ponto: mesmo assim, o país B conseguiria se aproveitar dos incentivos do governo de A. Porém, mesmo que eu saiba que tua intenção não era essa, o texto deu a entender que era melhor que um país espere que o outro tome as providências necessárias (meio Teoria dos Jogos, aliás…).

    Gostei do texto, Zanatta, assim como os demais (o “Diamante Gaúcho” é uma idéia para aprofundar, até).
    Continua escrevendo.
    Abração!

    PS: bom saber que tu consegue escrever sem utilizar de muitos pontos de exclamação (!!!!!!!) e pontos (……….). hahahah

  2. rafinha rafinha….

    a minha intenção ERA dizer que normalmente os países que esperam por medidas dos vizinhos saem privilegiados, principalmente porque eles nao GASTAM o que o país A, por exemplo, gastou… isso está nos livros de macroeconomia e teus professores aprovam a idéia….

    o que eu defendo é que numa crise que nem essa os países nao podem se dar ao luxo de ESPERAR por medidas dos vizinhos, porque nao estamos falando de país A e B, mas sim de todos os países do globo que de uma forma ou outra estão imersos nessa crise….

    ou seja, os países devem deixar de lado os ensinamentos da macroeconomia tradicional e realizar uma releitura, sensibilizada principalmente pela magnitude do desafio.

    enfim…. eu estou cansado agora pra discutir todas as idéias envolvidas nesse assunto, de forma que se tu quiser ter todos os meus pontos de vista a gente pode se falar pessoalmente… hehe

    abrasss

  3. hehehe!
    Sem problemas. Atenta que escrevi o comentário antes de conversarmos no final de semana, quando ficou mais claro o porquê de tu não ter aprofundado mais a análise. Ficaria, de fato, um TCC. =D

    Abração!

  4. Pingback: As relações entre o Consumo e o Investimento « blog do zanatta

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