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O risco do “Crédito de Bandeja”

In brasil,economia on 4 julho, 2011 por zanatta

Não deve ser novidade para nenhum brasileiro (ou não deveria ser) que o nosso famoso crescimento está sendo alavancado por vultuosas somas de crédito tomado tanto por órgãos públicos quanto por grandes grupos privados. Esses empréstimos financiam grandes obras estatais (estradas, barragens e portos) e o aumento da capacidade produtiva das empresas (novas fábricas, instalações modernas, etc).

No entanto, uma fatia muito grande dos empréstimos tomados em 2010 não foi feito nem pelos governos nem por empresas, mas sim pelos milhões de consumidores que descobriram que poderiam ter tudo (ou quase tudo) que quisessem desde que apresentassem sua carteira de trabalho e um comprovante de residência.

Até aí tudo bem para quem vive de comissão. As propagandas escreviam em letras grandes e garrafais as inúmeras possibilidades de consumo que o acesso ao crédito oferecia, mas se esqueciam de informar ao cliente que em determinado momento a conta de todo esse desejo reprimido chegaria.

Resultado: a conta chegou.

As Casas Bahia e o Cartão de Crédito trouxeram a triste notícia que a geladeira nova e as compras no shopping teriam que ser pagas e aquele “jurinho” que parecia tão pequeno dobrou o preço de tudo que as pessoas compraram. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, também quer a sua parte e afirma que avisou que o prazo era de 30 anos para pagar, mas que a primeira parecela já começa a contar a partir de hoje.

Ou seja, brasileiro que é brasileiro gastou o que não tinha e agora, como mostrou a Exame (ver aqui), precisa pagar uma quantidade de contas que ele não somou lá no início. E aí a bola de neve começou a rolar…

Como bem mostrou a reportagem os efeitos dessa situação já começaram a aparecer no percentual de inadimplência e no aumento dos juros cobrados pelas financeiras. Minha principal preocupação, no entanto, é que o famoso “novo mercado consumidor pujante da economia brasileira” seja apenas um fogo de palha, assim como uma criança que ganha 10 reais e gasta tudo ao comprar balas na padaria da esquina. Ou seja, os brasileiros ainda não compraram tudo que precisam para de fato viver melhor, mas já estão tendo o crédito cortado porque não souberam utilizar ele corretamente.

Eta vidinha…

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A Missão da Revista Exame para salvar o Brasil

In brasil on 9 março, 2011 por zanatta Etiquetado:

De todas as publicações brasileiras, na minha opinião, a Revista Exame é aquela que mais se importa com o cenário econômico brasileiro e, sem dúvida, a entidade que mais pesquisa alternativas para que o nosso país de fato comece a caminhar rumo ao desenvolvimento.

É por esta opinião que eu não me surpreendi com a matéria de capa da última edição da Revista (09-03-2011), na qual, mais uma vez, ela joga na cara daqueles que acreditam que o Brasil já está num nível aceitável de desenvolvimento todos os problemas que ainda enfrentamos, dia após dia, pela falta de vontade das entidades públicas em transformar nossa Nação em um verdadeiro pólo de competitividade global.

Não adianta. Não é às custas de riquezas naturais e uma população no auge do seu poder de consumo que conseguiremos competir com países como Japão, Estados Unidos, União Européia, China… e segue a lista…Cláudia Vassalo fala com muita propriedade quando enfatiza o seguinte aspecto:

Um país não herda sua capacidade de competir…A capacidade de competir de um país é uma maniferstação de vontade, uma construção obsessiva, a opção de um povo.”

É tão óbvio que deve ser por isso que Governos começam e terminam sem perceber que Desenvolvimento = atacar as fraquezas + reforçar as vantagens. Qualquer análise SWOT ilustra isso, qualquer empresa faz isso, só o Governo que não…

É ridículo: ocupamos o 58º lugar no Ranking de Competitividade Global, oneramos nossas empresas com uma carga tributária e um peso absurdo das leis trabalhistas e, ainda por cima, deixamos as contas públicas nas mãos de pessoas completamente desqualificadas “que além de gastar muito ainda gastam mal”, como comentou Cláudia Vassalo.

Faço a seguinte pergunta: eu estou falando alguma novidade?

Eu duvido que alguém nunca tenha falado que essas barreiras impedem o nosso país de ser a pintura que estamos sendo levados a crer que o Brasil está virando.

ESTAMOS LONGE! Alcançamos avanços incríveis, mas não podemos acreditar que isso é suficiente. Mais uma vez: competitividade não é herança!

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Palestra Jorge Gerdau: Inspiradora

In brasil on 13 junho, 2010 por zanatta Etiquetado: ,

É uma pena que o Brasil tenha tão poucos empresários do nível de Jorge Gerdau. Em poucas décadas ele trasnformou uma siderúrgica em uma das mais impportantes empresas brasileiras, reconhecida internacionalmente pela sua qualidade e capacidade de entregar resultados, mas não é por esse motivo que eu queria que existissem mais empresários como ele.

A característica mais importante que eu vejo na figura de Jorge Gerdau é a responsabilidade em fazer algo pelo nosso país. Provar que os métodos de gestão que o poder público utiliza estão OBSOLETOS e que não é mais possível aceitarmos que pessoas tão DESCAPACITADAS gerenciem o dinheiro de nossos impostos.

Para fazer isso, ao invés de subir num palanque e apenas criticar ele vai lá e prova que é possível. Essas ações são realizadas através do PGQP (Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade), pelo MBC (Movimento Brasil Competitivo) e pelo próprio Institito Liberdade o qual é um grande defensor.

Pois bem. No último sábado tive o prazer de participar de mais uma das suas palestras. Gerdau não estava lá para contar a história de como ele construiu o seu império, mas sim para tentar inspirar os presentes a fazer alguma coisa diante da situação que estamos vivendo em nosso país.

“A culpa por vivermos em um país como esse é NOSSA”, disse ele. Somos nós que aceitamos que 40% de tudo que produzimos vá para as mãos de Governos incapazes de gerir o dinheiro de forma eficaz. Neste momento eu pensei exatamente no que aquilo significava: NINGUÉM contrata uma empregada e paga mais do que o justo para que ela faça o seu trabalho. NENHUMA empresa terceiriza a sua produção e aceita pagar mais caro do que o preço que ela vai vender.

Por isso, por que aceitamos terceirizar nossa segurança, nossa saúde e nossa educação para alguém que faz isso de forma tão ineficaz (deprimente, irresponsável, escolha você a palavra) e que cobre um preço tão alto?

Essa é uma pergunta interessante. Você não faz nada! Eu não faço nada! Mas no final do mês vem um boleto que tira 25% de tudo que eu ganho e leva para não sei onde… Com o passar dos anos nós aceitamos a pior terceirização do mundo e por isso somos vítimas desse roubo sem precedentes, que bate 1 trilhão de reais todos os anos.

É pessoal! Eu estou tentando descobrir qual é o meu papel para ajudar a mudar essa situação. Sugiro que você descubra o seu também para que daqui pra frente as coisas possam melhorar.

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O valor da nossa terra

In brasil on 5 maio, 2010 por zanatta Etiquetado: ,

De uns tempos para cá eu tenho notado alguns eventos interessantes que estão roubando a minha atenção. É comum ouvirmos que os estrangeiros estão destruindo a nossa Amazônia (e um monte de outros bla bla blás), mas é raro ouvir discussões a respeito do interesse que grandes grupos internacionais estão cultivando no que diz respeito a qualquer tipo de terra produtiva do nosso país.

Não é por menos. O Brasil sempre possuiu uma extensa área agricultável e um clima favorável para a plantação de inúmeras culturas, mas com o passar do tempo alguns fatores importantes, dentro e fora do nosso país, alavancaram o nosso potencial, entre eles:

  • Estabilidade econômica, assegurando o investimento estrangeiro;
  • Embrapa, órgão responsável pela maior parte dos avanços tecnológicos produzidos nesta área;
  • Aumento de linhas de crédito a juros baixo, que deu motivos para os Empresários voltarem a investir;
  • Aumento da demanda mundial (leia-se China), que compra tudo de todos;

Com esses fatores ficou muito interessante investir em terras brasileiras e a partir daí começou a surgir um movimento liderado por grupos nacionais de incorporação de grandes áreas. Ou seja, com dinheiro no bolso, grandes grupos buscaram áreas onde pudessem investir seu dinheiro e assimilar ganhos de escala na produção de alimentos. No entanto, o que eu tenho percebido nesses últimos anos é que existem muitos grupos internacionais que também querem tirar proveito destas condições e fixar raízes por aqui. É o caso de alguns grupos do Oriente Médio, que depois de comprarem o que era possível na Africa buscam novas alternativas para aumentar a sua produção e assegurar alimento para a sua população que não tem nada além de Petróleo. Com o passar do tempo é possível que vejamos navio carregados de grãos saindo de nossos portos sem deixar um dólar sequer…

Antes que me entendam mal, não estou dizendo que devemos baixar um decreto proibindo estrangeiros nas nossas terras, mas sim, abrir os olhos para uma grande oportunidade que está surgindo em nosso país e aproveitá-la antes que outras a façam. Nossa agricultura reluz ao mundo e os seus frutos devem ficar com a gente. Não tem sentido deixar o cavalo passar e depois ter que correr atrás…

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Por que eu não gosto do Governo Lula…

In brasil on 23 abril, 2010 por zanatta Etiquetado: ,

Antigamente era mais comum, mas ultimamente não tenho discutido muito sobre política. A explicação mais óbvia para isso talvez seja um sentimento de “desprezo” pelo assunto, tendo em vista as tamanhas barbaridades que estão acontecendo ultimamente. No último Fórum da Liberdade, até Fernando Henrique Cardoso mostrou-se completamente esgotado com esse lixo que virou nosso cenário político nos últimos anos. Ao invés de discutirmos maneiras de alavancar o crescimento, constatamos dia após dia a farra a céu aberto que se tornou nossa sede do governo.

Talvez seja essa a razão que me faça detestar o Governo Lula.

As condições macroeconômicas que favoreceram nossa economia transformaram nosso país em uma estrela brilhante no cenário mundial. A classe C, D e E, que nunca tiveram condições de ter uma conta de luz em seu nome, agora possuem cartão de crédito e compram em 24 vezes sem o medo da inflação ou de perder repentinamente o seu emprego. As sementes dessa estabilidade econômica foram plantadas lá no passado e foram mantidas de maneira inteligente pelo atual Governo, mas isso não é justificativa para o que nossos representantes estão fazendo lá pelas bandas de Brasília.

Por que eu vou perder o meu tempo discutindo essas coisas se eles vão continuar roubando e criando instrumentos para se manter no poder?

Responder o que para uma pergunta como essa? Eu mesmo por diversas vezes evitei discussões que poderiam ser produtivas por aceitar a realidade de que os governantes estão no poder para eles mesmos, e não para quem os elegeu.

O PT então… “nunca antes na história desse país” se viu um Estado tão inflado, indo na contramão das novas práticas de gestão pública. Jamais vimos tanta roubalheira ser abafada por um Presidente que se esqueceu de onde veio e, principalmente, de que maneira se propôs a governar.

Vou utilizar as palavras de J.R Guzzo, colunista da Exame, quando ele afirma:

Seja em qual for o lado que o PT escolher, em qualquer questão, o cidadão pode estar certo de uma coisa: é o lado ERRADO

Foi assim no caso da Honduras, foi assim no caso da Venezuela, foi assim nas ridículas declarações de Lula quando mencionou a “burrice” dos cubanos que faziam greve de fome. No entanto, para coroar o Governo da Safadeza, era preciso fazer algo ainda maior. E fizeram.

Nem mesmo 1,6 milhões de assinaturas foram capazes de impedir os representantes de PT e PMDB de derrubar o projeto de lei que impedia políticos condenados a se reelegerem. Um projeto simples, que exigia apenas uma ficha limpa como qualquer outra que é exigida em um concurso público para aqueles que vão cuidar do nosso dinheiro e do futuro de nosso país. No entanto, nada é tão simples quanto parece…

Assim como em outras ocasiões, juntou-se a corja majoritária e se decidiu pelo regresso ao invés do progresso. Votou-se pela manutenção de instrumentos políticos que privilegiam os milhares de ladrões que estão soltos por aí ao invés de sinalizarem, em pleno ano eleitoral, que ainda vale a pena se interessar e discutir política. Infelizmente, do jeito que está, assim continuará.

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Cuidar do que restou – Enchentes RS

In brasil on 12 janeiro, 2010 por zanatta Etiquetado:

A força das águas transformou a vida de milhares de pessoas afetadas pelas enchentes nos últimos dias no interior do RS. Marques de Souza, uma pequena cidade às margens do Rio Forqueta, transformou-se exemplo de como as chuvas estão castigando cada vez mais a Região Sul do Brasil.

Respeitando as proporções, pode-se dizer que o que ocorreu no Vale do Taquari é o mesmo que atingiu os moradores das áreas atingidas em SC no final de 2008. A forte correnteza arrastou casas e destruiu histórias, mas felizmente eu pude perceber que nestes momentos a comunidade reúne-se em torno de um objetivo comum e a solidariedade fala mais alto.

Dias após as enchentes que arrasaram com uma comunidade é possível verificar casos interessantes, como do homem que resolveu doar uma geladeira para quem já não tinha mais nada, ou então do empresário que disponibilizou todos os produtos necessários para que seu cliente possa recomeçar o seu negócio após ter perdido tudo.

Casos isolados como esses ensinam com exemplos o quanto cada um é dependente um do outro e como simples atos podem transformar a vida das pessoas. Gostaria que todas estas pessoas que se sensibilizaram continuem ajudando as comunidades afetadas porque reconstruir uma vida a partir do zero é muito mais do que receber apenas roupas novas. Esse processo vai exigir muita energia e quanto mais indivíduos toparem o desafio mais cedo as comunidades afetadas conseguirão limpar a lama que as enchentes trouxeram para suas vidas.

Confiram uma reportagem realizada pela equipe da Univates:

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No ônibus em Porto Alegre

In brasil,cotidiano on 11 maio, 2009 por zanatta Etiquetado: ,

por Rafael Zanatta

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

o Dilúvio é um problema que pode estar saindo do controle, não apenas pela sua poluição e pelo esgoto que recebe, mas pela vida que está se criando ao redor dele

O interessante em circular pela cidade de Porto Alegre de ônibus é que a realidade se apresenta de uma maneira bem mais realista. No carro a gente não sofre com algum indivíduo “pedindo um real”, mas viaja tranqüilo com o som e o ar-condicionado ligado. (não vou entrar no mérito que o trânsito em determinadas horas é péssimo)

Hoje, ao invés de sentar no ônibus e ler minha revista, resolvi prestar um pouco mais de atenção à vida que se criou às margens do Dilúvio. Antes mesmo de embarcar, já se reparava nos mendigos que dormiam enquanto que um, na tentativa de conseguir umas moedas, se aproximou. Ninguém deu nada.

Quando entrei no ônibus sentei próximo à janela e admirei o famoso arroio que atravessa a cidade e termina no Lago Guaíba. Hoje, ele é praticamente um esgoto a céu aberto, não fazendo a mínima diferença se está coberto ou não. Diante de toda a “vida” que se criou às suas margens vemos mendigos de todas as idades, cães abandonados, lixo e algumas garças que devem conseguir algum tipo de alimento por ali.

Eis então que, no outro lado da rua, passa o “Ônibus Turismo de Porto Alegre”. Imagine você, responsável pelo turismo da cidade, vendo os turistas tirando fotografias da paisagem que acabei de descrever. É claro que o ônibus não tem alternativa e precisa passar por ali, mas é no mínimo curioso o fato de que os turistas não tiram fotos apenas dos pontos turísticos que definimos, mas do que os chama a atenção.

Nesse aspecto, identificar que um outro “tipo de sociedade” se criou às margens de um arroio é sim um bom motivo para uma fotografia (não necessariamente para o secretário de turismo).

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As relações entre o Consumo e o Investimento

In brasil,economia on 6 maio, 2009 por zanatta Etiquetado: , , ,

Há alguns meses eu escrevi sobre a importância que o consumo deve ter para que as medidas que os governos estão tomando tenham realmente efeito no combate à crise. O fato é que, de lá para cá, tenho feito algumas considerações sobre o que eu julgo ser importante em uma economia que deseja de fato crescer, mesmo com as intempéries que uma crise como esta, de escala mundial, pode proporcionar.

Para entender como estas duas variáveis estão ligadas gostaria de realizar algumas relações simples, como por exemplo:

  • Consumo gera Investimento: quando há aumento na demanda, normalmente em períodos positivos da economia.
  • Investimento gera Consumo: em épocas de crise e reorganização da economia, na qual a demanda deve ser instigada por produtos que satisfaçam plenamente suas necessidades.

investimentoNa primeira colocação temos uma situação na qual uma crise normalmente funciona como um balde de água fria nos planos de longo prazo. Isso porque os tomadores de decisão já não prevêem mais aquele aumento de consumo esperado e com isso freiam os investimentos, com medo de que eles não atinjam o retorno esperado.

Na segunda colocação, no entanto, temos uma situação na qual a necessidade de buscar mudanças torna-se uma realidade latente, fazendo com que a gerência tome medidas que combatam a lentidão, os processos mal organizados, mas sobretudo arrumem a casa para se preparar para o momento seguinte.

Dito isso, resta discutir o que prevalece nessa história. Alguns dirão que as empresas devem investir quando possuem a certeza de que terão seus investimentos recuperados, enquanto outros tomarão o partido de que só o investimento pode fazer com que o consumo recupere os níveis anteriores.

Na minha opinião, existe um pouco de cada um nessa história. É claro que nenhuma empresa deve investir sem uma noção clara de qual serão os rendimentos do produto no futuro. No entanto, esperar que a demanda volte a aquecer para retomar ou iniciar os investimentos pode ser uma atitude ainda mais insensata. Investimentos não surgem da noite para o dia e esse intervalo de inércia pode afastar um concorrente terrivelmente, a ponto de não ser mais possível alcança-lo.

O que de fato eu defendo é uma visão de longo alcance a respeito do que acontece. Uma empresa, por menor que seja, precisa saber quais são as variáveis que atingem o seu negócio e, além disso, entender as tantas outras que atingem seus clientes e fornecedores. Organizações que conseguem fazer isso de forma clara (com menos erros possíveis) tendem a não se deixar envolver por períodos de euforia e trabalhar para que as necessidades de amanhã possam ser supridas por reservas feitas desde agora. As crises vêm e vão, mas é preciso estar preparado para elas. Nesses casos podemos perceber empresas que hoje, mesmo na crise, estão com suas reservas de capital nas alturas, prontas para abocanhar concorrentes que não souberam lidar com a euforia.

Mais do que isso, são as empresas que se preparam num momento pré-crise aquelas que serão capazes de realizar investimentos visualizando o futuro. Neste caso, por exemplo, podemos citar a rede de lojas Casas Bahia que mesmo sabendo que o consumo tende a baixar vai investir na abertura de aproximadamente 30 lojas num novo mercado – Nordeste – e ainda por cima desbravar o mercado das vendas online, hoje dominado pelo Submarino e Americanas. Quais as lições que podemos tirar? O presidente da empresa não espera aumentar os lucros neste ano, mas sim “empatar” com o do ano anterior, mesmo com esses novos canais de venda. No entanto, quando todo este furacão passar a empresa estará fortalecida nesses mercados que praticamente não receberam investimentos, saindo com vantagem na corrida por novos clientes.

Outro exemplo ainda mais latente são as empresas do ramo da infra-estrutura, responsáveis por obras no campo da energia, transporte ou saneamento. Investimentos nessas áreas demandam tempo e não podem ter o seu start num momento pós-crise porque neste caso já iniciarão atrasados. O momento para realizar investimentos nestas áreas é agora, ainda mais com os valores das matérias-primas caindo a cada dia. Trata-se de uma oportunidade fantástica tendo em vista que, no momento que a empresa estiver pronta para operar, ela terá diante de si um mercado pronto para consumir a energia elétrica, combustíveis, as estradas ou estações de tratamento.

Neste momento não devemos pensar que tudo está perdido e que as empresas irão ruir como castelos de areia. Algumas já ruíram, tantas outras possivelmente ainda ruirão porque tem um preço a pagar pelos erros sucessivos que cometeram no decorrer dos últimos anos. No entanto, é preciso visualizar também que há muitas empresas bem administradas que darão novo fôlego para a economia com os investimentos que estão planejando. No atual momento, as empresas devem valer-se de um bom uso de cenários e um choque de inovação. Isso sim é capaz de driblar crises e fortalecer ainda mais uma organização.

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